Vertiv prevê chegada antecipada do data center de 4ª geração

Os data centers de próxima geração estão em ascensão e vão se tornar o modelo das redes após 2020. A chegada desses data centers dependentes do Edge Computing é uma das cinco tendências de data centers para 2018 identificadas pelo painel global de especialistas da Vertiv, anteriormente conhecida como Emerson Network Power.

Veja abaixo as cinco tendências que deverão afetar o ecossistema dos data centers em 2018:

1. O surgimento dos data centers de 4ª geração: quer se tratem dos tradicionais armários de rede ou de microdata centers de 150 metros quadrados, as organizações estão se apoiando cada vez mais no Edge Computing. Os data centers de 4ª geração integram o extremo e o núcleo da rede de forma abrangente e harmoniosa, elevando essas novas arquiteturas de rede além do modelo de simples redes distribuídas.

2. Os fornecedores de serviços em nuvem aderem aos serviços de Colocation: a adoção dos serviços em nuvem está acontecendo tão rápido que, em muitos casos, os fornecedores de serviços em nuvem não conseguem acompanhar as necessidades de capacidade. Na verdade, alguns preferem nem tentar. Eles preferem se concentrar no fornecimento dos serviços e em outras prioridades em vez de se focar nas novas configurações de data centers. Neste quadro, acabam se voltando para os fornecedores de instalações compartilhadas para satisfazer suas necessidades de capacidade.

3. Reconfiguração da classe média dos data centers: não é segredo nenhum que as maiores áreas de desenvolvimento do mercado dos data centers estão relacionadas com as instalações de grande escala – normalmente, as de fornecedores de serviços em nuvem ou de Colocation – e o Edge Computing. Com o crescimento dos recursos em nuvem e de Colocation, os operadores de data centers tradicionais agora têm a oportunidade de repensar e reconfigurar as instalações e recursos que continuam sendo fundamentais para as operações locais.

4. A alta densidade (finalmente) chegou: a indústria dos data centers já prevê um pico de densidades de energia para racks há uma década. Na melhor das hipóteses, no entanto, esse aumento tem sido incremental. Isso está mudando. Apesar de densidades de 10 kW por rack continuarem sendo a regra, as implementações de 15 kW não são raras em instalações de grande escala – algumas estão se aproximando dos 25 kW.

5. O mundo reage ao Edge Computing: à medida que mais empresas deslocam a computação para o extremo das suas redes, torna-se necessária uma avaliação crítica das instalações que acomodam esses recursos de Edge Computing e da segurança e propriedade dos dados nelas contidos. Isso inclui o design físico e mecânico, a construção e segurança das instalações de extremo da rede, bem como questões complicadas relacionadas com a propriedade dos dados. Os governos e as entidades reguladoras de todo o mundo terão o desafio crescente de ponderar e intervir nessas questões.

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Novo material reduz custo de purificação de substâncias para a indústria

Suzel Tunes | Pesquisa para Inovação – O esforço para contornar um obstáculo tecnológico identificado durante a tese de doutorado em biotecnologia de Willian Kopp resultou no desenvolvimento de um novo material para uso em pesquisa e em indústrias – uma micropartícula magnética de sílica porosa – e deu origem à empresa Kopp Technologies.

Tudo começou em 2010, quando o pesquisador fazia seu doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com bolsa da FAPESP. Ele buscava imobilizar enzimas para aplicações industriais utilizando adsorventes magnéticos – materiais porosos com propriedades magnéticas capazes de promover a fixação de moléculas a partir de um fluido, separando-as, assim, de contaminantes indesejados ou permitindo a recuperação seletiva e reúso de catalisadores, como as enzimas. Mas os materiais magnéticos disponíveis no mercado não atendiam às necessidades da pesquisa. “Apresentavam baixa resposta magnética, não tinham estabilidade química e, sobretudo, eram extremamente caros. Pensando em processo industrial eram inviáveis”, diz Kopp.

Ele então mudou o tema do doutorado e direcionou seu trabalho para o desenvolvimento de um adsorvente que preenchesse essa lacuna no mercado de biotecnologia. Antes mesmo de defender sua tese, em 2013, o pesquisador depositou o pedido de patente de um novo produto.

O passo seguinte foi associar-se a um administrador experiente, Maicon Vilabruna, para montar o modelo de negócios da Kopp Technologies. “O Maicon, além de sócio, tem mais de uma década de experiência em uma grande multinacional e trouxe toda essa bagagem adquirida para a Kopp. Eliminamos um dos grandes problemas que as startups enfrentam hoje que é a falta de alguém do mercado na estrutura societária, o que contribui também no processo de tomada de decisão. Em 2015 já tínhamos a empresa constituída e a patente da tecnologia licenciada para a empresa”, diz o pesquisador.

No ano seguinte, em 2016, a empresa teve aprovado no Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) projeto de desenvolvimento de uma série de processos para inserção de diferentes grupos químicos na superfície das micropartículas magnéticas de sílica para permitir sua aplicação em diferentes processos de purificação industrial.

“Estamos utilizando grupos químicos que têm afinidade com diferentes moléculas. Eles permitem a adesão dessas moléculas de forma seletiva, permitindo, assim, a purificação do produto”, resume o pesquisador. “Ao final do projeto teremos um extenso portfólio de produtos que permitirá a aplicação de nossa tecnologia em praticamente qualquer processo industrial de purificação de moléculas de interesse.”

O projeto entrou diretamente na Fase 2 do PIPE – de pesquisa para desenvolvimento do produto em escala piloto – e já teve a aprovação do relatório do primeiro ano de trabalho.

Os sócios da empresa haviam previsto o desenvolvimento de 16 produtos até agosto de 2018. Em agosto de 2017 já estavam com 27 produtos desenvolvidos e testados e, na segunda quinzena de novembro, lançaram 10 desses produtos para uso em laboratório. “No próximo ano esperamos estar vendendo também para empresas, com perspectivas de exportação para países da América Latina nos próximos dois anos”, afirma Kopp.

Existem diferenças significativas entre os processos de purificação de substâncias realizados em uma empresa e no laboratório de uma universidade. Na pesquisa acadêmica, é comum o uso de materiais magnéticos para aplicação em testes bioquímicos. Essa tecnologia, porém, é inviável para a indústria, sobretudo por uma questão de preço. “O grama do material magnético custa, em média, US$ 400, não dá para usar em escala industrial”, informa o pesquisador.

Para separar uma molécula-alvo de moléculas contaminantes – tarefa essencial na produção de vacinas, fármacos, cosméticos etc. –, a indústria recorre à filtração ou centrifugação. Assim obtém uma solução livre de sólidos em suspensão, que é, então, levada a um processo de purificação com materiais não magnéticos, como sílica porosa e outras resinas cromatográficas.

Esse processo ainda é bem oneroso. Como a indústria brasileira depende de tecnologia e de insumos importados, muitas vezes a purificação é a etapa mais cara do desenvolvimento de um novo composto químico ou bioquímico, representando cerca de 40% do custo de produção.

“Com o uso das micropartículas magnéticas, a indústria pode pular a etapa da centrifugação ou filtração, já que as moléculas de interesse vão aderir de forma seletiva ao material graças à afinidade pelos grupos químicos inseridos na superfície do material. Em seguida, o material contendo o produto pode ser fácil e rapidamente separado por meio da aplicação de um campo magnético externo. Ganha-se no custo direto e no tempo de produção, o que também gera economia”, diz Kopp.

Segundo o pesquisador, as micropartículas magnéticas de sílica que a Kopp Technologies pretende colocar no mercado terão um custo ainda menor do que os insumos não magnéticos importados, como as resinas cromatográficas.

Brasil precisa de um projeto de reindustrialização com ênfase em indústria 4.0

Elton Alisson | Agência FAPESP – O Brasil precisa implementar urgentemente um projeto de reindustrialização com ênfase em indústria 4.0, como é definida a integração na indústria de transformação de tecnologias de Big Data, inteligência artificial e Internet das Coisas, entre outras, com o objetivo de aumentar o nível de automação e possibilitar novas formas de organização dos sistemas de produção.

A avaliação foi feita por participantes do 1º Congresso Brasileiro de Indústria 4.0, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em 5 de dezembro, em São Paulo.

O evento reuniu representantes de empresas e de agências de fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação, com o objetivo de discutir como o Brasil pode construir vantagens competitivas no contexto da indústria 4.0.

De acordo com dados apresentados por José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da instituição, o Brasil enfrenta um forte processo de desindustrialização, como é definida a redução da capacidade industrial de um país.

A participação da indústria brasileira na indústria mundial caiu praticamente pela metade nos últimos 20 anos, de 3,47% em 1995 para 1,84% em 2016. Já a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano foi de 11,1%, atingindo o mesmo patamar de 1953, comparou Roriz.

“A participação da indústria no PIB brasileiro regrediu 65 anos. E, por conta disso, a produtividade brasileira estagnou”, explicou o especialista.

A industrialização, afirmou Roriz Coelho, foi o motor do aumento da produtividade brasileira durante um longo período, o que permitiu ao país reduzir o hiato em relação aos Estados Unidos nesse quesito.

Em 1980, quando a participação da indústria no PIB brasileiro atingiu o patamar de 20,2%, a produtividade brasileira em comparação com a dos Estados Unidos chegou a 40,3%. Em 2015, porém, caiu para 24,9% – mesmo índice de 1950.

“Com a queda da participação da indústria no PIB brasileiro, a produtividade do país em comparação com a dos Estados Unidos também regrediu quase 65 anos. Isso representa um grande motivo de preocupação”, afirmou.

Enquanto o país vem passando por um aprofundamento muito grande do processo de desindustrialização, economias de alta e média intensidade tecnológica, como Estados Unidos, Alemanha, Japão e China, têm feito grandes investimentos para acelerar a migração para a indústria 4.0, comparou Roriz.

Uma pesquisa realizada em 2016 pela consultoria PWC com 2 mil empresas em 26 países apontou que elas investirão em indústria 4.0 o equivalente a US$ 907 bilhões por ano até 2020 – cerca de 5% de suas receitas. Com isso, essas empresas esperam obter uma redução de US$ 421 bilhões em seus custos de operação e obter ganhos de receita equivalente a US$ 493 bilhões por ano.

A Europa, por exemplo, planeja investir cerca de € 1,35 trilhão ao longo dos próximos 15 anos em indústria 4.0. Deste total, € 250 bilhões deverão ser aportados por empresas alemãs.

Por sua vez, a China planeja investir € 1,8 trilhão nos próximos anos para modernizar sua indústria.

“Para poder competir com esses países, o Brasil precisa urgentemente de um projeto de reindustrialização com ênfase em indústria 4.0”, avaliou Roriz.

Vantagem competitiva

O Brasil possui alguns pontos fortes que podem contribuir para dar resposta aos desafios trazidos pela nova realidade da indústria 4.0, avaliaram os participantes do evento. Entre eles, o de ter um parque produtivo bastante diversificado, com unidades fabris de empresas líderes das principais economias desenvolvidas.

O país, contudo, terá que superar alguns obstáculos, como o de melhorar sua infraestrutura tecnológica, criar linhas de financiamento apropriadas e desenvolver competências e capacitações em tecnologias cruciais para implementação da indústria 4.0, como robótica avançada, manufatura aditiva (construção de objetos por impressão 3D), realidade aumentada e materiais funcionais, apontaram os participantes do evento.

Algumas dessas tecnologias já têm sido exploradas por pequenas empresas nascentes de base tecnológica (startups), além de universidades e instituições de pesquisa em São Paulo, destacou Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP.

“Há uma base mínima de competências instalada em universidades e em empresas relacionadas à manufatura avançada e Internet das Coisas, por exemplo. A gente não parte do zero nessa corrida”, avaliou.

O Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) tem apoiado um expressivo número de pequenas empresas nascentes de base tecnológica com projetos em áreas relacionadas à manufatura avançada.

Entre as mais de 200 empresas apoiadas anualmente pelo programa, 45 delas desenvolvem projetos focados em manufatura avançada, apontou Pacheco.

“Há um crescente interesse de startups apoiadas pelo PIPE em desenvolver projetos relacionados à automação e inteligência artificial, além de fotônica, robótica e digitalização. E essas competências tecnológicas têm sido desenvolvidas em São Paulo”, afirmou.

Por outro lado, há novas competências que são mais recentes e precisam de muito maior atenção em termos de apoio a projetos para desenvolvê-las, apontou. Entre elas estão digitalização, realidade aumentada, impressão 3D e materiais inteligentes ou funcionais, como metais leves e de alta resistência, ligas de alto desempenho, cerâmicas avançadas, compósitos e polímeros.

“Temos observado um crescimento significativo de projetos apoiados pelo PIPE em áreas como Internet das Coisas, Big Data, computação em nuvem e manufatura avançada. Mas são coisas muito mais recentes e que merecem mais atenção”, avaliou Pacheco.

No início de maio, a FAPESP também lançou chamada, encerrada em1 de fevereiro de 2018, para seleção de empresas ou consórcios de empresas que queiram se tornar parceiros da Fundação na criação de um Centro de Pesquisa em Engenharia em Manufatura Avançada.

E, recentemente, o Conselho Superior da FAPESP aprovou uma estratégia para que a instituição possa apoiar projetos de pesquisa voltados ao desenvolvimento de tecnologias em áreas consideradas críticas: agricultura de precisão, Internet das Coisas e cidades inteligentes, aeronáutica e espaço e manufatura avançada, entre outras, destacou Pacheco.

“Pretendemos estimular projetos nessas áreas que elegemos como prioritárias na forma de consórcios entre universidades, empresas e institutos de pesquisa”, afirmou Pacheco.

A FAPESP e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram edital para apoiar pequenas empresas na realização de pesquisa para o desenvolvimento de inovação em manufatura avançada. O prazo de inscrições de propostas encerrou no dia 11 de dezembro.

Mauricio Aveiro é o novo CEO da Synchro

A Synchro, maior provedora nacional de soluções fiscais e tributárias, anuncia Mauricio Aveiro como o novo CEO. O executivo deixou recentemente a vice-presidência de Pessoas e Sustentabilidade da Embraer.

Graduado em Engenharia Mecânica-Aeronáutica pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas/ São Paulo e IESE/Barcelona, Aveiro ocupou cargos executivos na Embraer e empresas coligadas, bem como Kamyr/Kvaerner Europa/EUA nas áreas de Oil & Gas e Pulp & Paper.

Hilmar Becker é o novo country manager da F5 Brasil

São Paulo – A F5, que atua em soluções que visam a segurança e a entrega de aplicações corporativas, anuncia que Hilmar Becker é o novo country manager no Brasil. Profissional com mais de 25 anos de experiência no mercado de TIC, Becker foi country manager da HPE Aruba e trabalhou na Cisco Systems, Extreme Networks, Aperto Networks e 3Com.

Becker é graduado em Design Automotivo pela Escola Franz Obethuer em Wuesburg, Alemanha. Ele fala fluentemente português, inglês e alemão. Em seu tempo livre, o executivo dedica-se ao mergulho em cavernas e a dirigir veículos 4×4 em trilhas off-road.

Pagamento de contas diversas é o que mais pesa no bolso do consumidor

São as contas diversas que estão impossibilitando de o consumidor manter o seu fluxo de caixa organizado e o “nome limpo”, segundo pesquisa online semestral realizada pela Boa Vista SCPC para identificar o Perfil do Consumidor Inadimplente. Dos quase 4 mil respondentes, de todo o Brasil, 23% afirmaram que manter em dia o pagamento de contas diversas tem sido o mais complicado. No 1º semestre, 25% tinham esta percepção, o que representa uma ligeira queda de dois pontos percentuais (p.p.).

Dentre as contas diversas, a que mais pesou no bolso do consumidor foi a relacionada com educação, que passou de 31% no 1º semestre para 35% neste 2º semestre. Na sequência, as despesas com saúde, como o convênio médico e medicamentos, e compra de aparelho celular/smartphone, com 18% das menções cada. No 1º semestre estes produtos e serviços receberam 16% e 11% das menções, respectivamente. Já taxas e tarifas como o IPTU, IPVA e condomínio tiveram queda de 24% para 17%.

As demais dificuldades, quando o assunto é o não pagamento que gerou a restrição, são as despesas com alimentação e vestuário/calçados com 15% das menções cada, contra 13% e 11%, respectivamente, na comparação com o semestre anterior. Empréstimo pessoal/consignado (14% contra 17% no 1º semestre); móveis e eletrodomésticos (14% contra 13% no 1º semestre); e contas de concessionárias (10% contra 9% no 1º semestre), vêm na sequência.

No 2º semestre, o desemprego continua sendo a principal causa da inadimplência e consequente incapacidade de pagamento das contas, aumentando de 31% para 38% das menções. Em segundo lugar a diminuição da renda (19% contra 23% no 1º semestre), e em terceiro o descontrole financeiro (17% contra 19%). Em quarto lugar o empréstimo do nome para outras pessoas, situação muito comum quando se é fiador de uma dívida (12% contra 11%).

Para 40% dos consumidores que estão com o “nome sujo” está muito difícil manter as contas em dia. Já 48% se consideram muito endividados, e 65% afirmaram que estão com mais 50% da renda comprometida com dívidas (estejam elas em dia ou não). Entre os não negativados, 45% afirmaram estar um pouco endividados. 44% disseram estar difícil manter as contas em dia e 51% estão com mais de 50% da renda comprometidos com o pagamento de dívidas.

As contas feitas no boleto são as principais causadoras da negativação, com 28% das menções. Questionados sobre qual tipo de boleto, 32% apontaram os de telefonia, 24% de concessionárias (água, energia elétrica, gás) e 22% de educação (colégio, cursos diversos). O cartão de crédito ficou na segunda posição como o meio de pagamento responsável pela restrição, crescendo de 21% para 24% neste 2º semestre.

Ainda de acordo com a Pesquisa do Perfil do Consumidor Inadimplente, 60% dos entrevistados disseram possuir até três contas em atraso, sendo o não pagamento das mesmas o responsável pela restrição. 40% possuem quatro ou mais. Deste total, 89% estão negativados há mais de 90 dias.

56% dos consumidores negativados possuem dívidas no valor de até R$ 3.000. Acima de R$ 5.000 estão 29% dos respondentes. Na média, as dívidas representam cerca de R$ 2.800.

Se há a restrição, há a preocupação em quitar as pendências. E entre elas, as que foram feitas por meio de boleto serão as primeiras a ser quitadas segundo 27% dos consumidores, principalmente as da conta de celular (29%) e de concessionárias (22%). O cartão de crédito ocupa a segunda posição entre as dívidas que serão priorizadas, com 21% das menções. Em terceiro lugar o carnê de financiamento/crediário com 15%, dos quais 56% referem-se a crediário de lojas.

79% dos consumidores com restrição estarão comprometidos com outras dívidas (não vencidas) nos próximos meses. Deste total, 16% pretendem fazer novas compras após quitarem estas dívidas – entre os itens estão: terreno, casa própria e automóvel, ambos com 17% das menções.

Comparado ao 1º semestre, aumentou o percentual de consumidores, negativados ou não, que declarou avaliar a taxa de juros a ser cobrada antes de contratar um empréstimo – de 41% para 46% e de 62% para 67%, respectivamente.

O empréstimo familiar (47%) é a primeira opção do consumidor para tentar obter recursos e quitar as dívidas antes de ser negativado. Entretanto, na prática, apenas 10% conseguiram a ajuda esperada. Já a procura pelos bancos na obtenção destes recursos caiu 13p.p. (49% para 36%) na comparação com o semestre anterior. Outros 5% conseguiram o apoio financeiro nas instituições financeiras.

Indicador de bem-estar financeiro mostra que 63% não estão preparados para imprevistos

Sufoco na hora de comprar algum presente, falta de recursos para lidar com imprevistos, dificuldade para fechar as contas no azul… Esses são alguns sintomas de que a vida financeira não vai bem e que, nestes tempos de crise, acometem uma parte expressiva dos brasileiros. É diante desse quadro que o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) com o apoio de pesquisadores do Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lança um indicador inédito de Bem-Estar Financeiro do Brasileiro. De acordo com os dados, 63% dos consumidores afirmam não estarem preparados para lidar com imprevistos e apenas 12% disseram ter a capacidade de lidar com despesas inesperadas.

A proteção contra imprevistos é um dos quatro pilares que sustentam o indicador, ao lado do controle sobre as finanças, os objetivos financeiros e a liberdade para fazer escolhas. O nível de bem-estar financeiro de cada consumidor varia de acordo com respostas dadas em dez questões que passam pelos quatros pilares. Numa escala que varia de zero a 100, quanto mais próximo de 100, maior o nível médio de bem-estar financeiro da população; quanto mais distante de 100, menor o nível.

Em novembro de 2017, o indicador marcou 47,4 pontos. Calculado desde julho de 2017, ao longo desses meses os resultados exibiram pouca variação, ficando praticamente estáveis. “Ainda temos uma taxa de desemprego bastante elevada, e isso coloca as famílias em situação de aperto. Mas não só a crise que põe as pessoas em dificuldade – muitas vezes, a negligência com o controle das finanças também pesa. Investigar como o consumidor se relaciona com o dinheiro é o importante porque uma vida financeira mal administrada pode afetar a saúde, a produtividade e até as relações familiares”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Controle das finanças: 48% acreditam que alcançarão as coisas que querem na vida pela maneira que administram as finanças

Outro importante pilar pesquisado no indicador é o controle das próprias finanças: 48% dos consumidores disseram acreditar que, por causa da forma como administram as finanças, alcançarão as coisas que querem na vida, mas 24% mostraram-se pouco confiantes a respeito disso. A preocupação com a possibilidade de o dinheiro que tem acabar descreve cerca de 33% dos consumidores.

No geral, 22% dos consumidores sempre ou frequentemente deixam a desejar no cuidado com as finanças – já 46% nunca ou raramente descuidam das finanças. Por fim, a sensação de que a situação financeira controla a vida acompanha 35% dos consumidores.

Objetivos financeiros: 62% não estão assegurando o futuro financeiro

O foco e o compromisso com os objetivos financeiros também pesam no bem-estar financeiro dos indivíduos. Nesse pilar, os consumidores brasileiros mostram-se especialmente desprecavidos: expressivos 62% dos consumidores afirmaram que não estão assegurando o futuro financeiro, enquanto 24% disseram que asseguram mais ou menos – apenas 15% garantem o oposto.

Outra constatação referente a conquista dos sonhos é que 65% nunca ou raramente têm dinheiro sobrando no final do mês, enquanto 24% têm algumas vezes e só 11% conseguem a sobra.

Liberdade para fazer escolhas: 59% não têm condições de aproveitar a vida por causa da forma que administra o dinheiro

Não é só do futuro, no entanto, que o consumidor deve se ocupar para ter bem-estar financeiro. A liberdade para fazer escolhas que permitam aproveitar a vida completa os pilares do bem-estar financeiro: os números mostram que 59% não possuem a condição de poder aproveitar a vida por causa da forma que administram o dinheiro. Apenas 15% disseram que podem aproveitar a vida. Indo ainda mais além, 36% dos consumidores disseram que a condição de apenas sobreviver, e não viver plenamente, descrevia a sua situação, contra 35% que não se viam descritos nessa condição.

Dar um presente a alguém, exemplo de gasto eventual que pode ocorrer a qualquer um, prejudicaria 25% dos consumidores frequentemente ou sempre. Já 35% seriam prejudicados algumas vezes e 39%, nunca ou raramente.

Em caso de perda de emprego, o padrão de vida seria mantido por menos de 4 meses

Avaliando cada quesito em separado, aquele em que o consumidor brasileiro mais destaca-se é o que diz respeito à conquista futura das coisas que quer na vida, com 55,4 pontos. Quando o assunto é a avaliação do cuidado com as próprias finanças, a pontuação é a mesma. Já as maiores dificuldades estão em fazer reserva contra imprevistos (38,4), e em assegurar o futuro financeiro (40,3). A sobra de dinheiro no final do mês também pontua mal (40,3), assim como as possibilidades para aproveitar a vida (41,4).

Sendo o preparo para situações adversas um dos atributos mais falhos constatados pela sondagem, em face da perda do emprego ou problema de saúde o padrão de vida dos entrevistados seria mantido por 3,8 meses. Mais de um quarto (26%) não conseguiria manter por nem um mês.

“Gozar de alto nível de bem-estar financeiro não é algo que vem de graça. O quadro econômico influencia o bem-estar dos indivíduos, mas está fora do seu controle. A personalidade, o comportamento financeiro e as habilidades individuais em lidar com as finanças também pesam”, explica Kawauti. “O desafio dos consumidores é fazer escolhas que equilibrem o desfrute do presente e o preparo para o futuro. Isso exige, para maior parte, vontade, controle, disciplina e a definição de prioridades.”

SPC Brasil lança aplicativo para o consumidor calcular seu próprio bem-estar financeiro

Além do novo Indicador de Bem-Estar Financeiro, o SPC Brasil acaba de lançar o aplicativo SPC Consumidor. Inicialmente, os consumidores poderão fazer o cálculo do seu próprio bem-estar financeiro e comparar com a média nacional.

Além da simulação, o usuário descobrirá como andam suas finanças e receberá dicas personalizadas periodicamente para melhorar a sua pontuação cada vez mais. Após quatro dicas recebidas, o consumidor pode refazer o teste e avaliar as mudanças no resultado.

“O SPC Brasil é uma plataforma de soluções integradas e queremos gerar conhecimento e bem-estar para sociedade. Esse é um passo importante para uma maior aproximação com o consumidor, possibilitando à população o acesso a essa importante e pioneira experiência de autoconhecimento e bem-estar financeiro”, afirma Magno Lima, superintendente do SPC Brasil.

“Queremos conhecer melhor os consumidores para desenvolver soluções que atendam às suas necessidades e ajudem a melhorar a gestão de suas finanças. Oferecer o aplicativo com indicador de bem-estar financeiro é o primeiro passo, mas muitas outras novidades estarão disponíveis em breve”, completou.