Transações online aumentam na AL e Caribe

O número de transações de e-commerce realizadas em maio pelos consumidores da região da América Latina e Caribe, quando comparado às médias de janeiro e fevereiro de 2020, subiu 6 pontos percentuais na categoria de gastos essenciais, que inclui alimentos, mercadorias em geral, despesas médicas e supermercado. É o que diz um levantamento da Visa realizada pela Visa Consulting & Analytics (VCA), sua consultoria estratégica. Além disso, o número de transações de débito realizadas via e-commerce na região subiu 8 pontos percentuais.

O percentual anual de mudança no número de transações realizadas online vs. o número de transações realizadas presencialmente foi 5,8 vezes mais alto em maio de 2020, quando comparado à média de janeiro e fevereiro de 2020, o que mostra uma aceleração no uso de pagamentos digitais online por parte dos portadores de cartão da região no período analisado, durante a pandemia de COVID-19.

A análise é realizada com base nos dados transacionais da VisaNet de janeiro a maio de 2019 e de 2020, comparando o número de transações semana a semana durante o período acima citado. A análise inclui países e territórios da região América Latina e Caribe.

Blue Tree Hotels prepara quartos para receber home office

A rede Blue Tree Hotels anuncia o lançamento do serviço My Space, com ambientação dos apartamentos em espaços únicos para o desenvolvimento de trabalhos com toda segurança, privacidade e tranquilidade necessárias para execução de atividades com alta produtividade e excelência.

“Ouvimos os nossos hóspedes e entendemos que, muitos deles, buscam ambientes seguros e que ofereçam conforto e bem-estar para trabalhar. Outros preferem sair de casa para ter um dia dedicado para planejar, aumentando a concentração e produtividade, em um local como o que estamos oferecendo”, analisa Chieko Aoki, presidente da Blue Tree Hotels.

Os apartamentos são otimizados, com bancada (ou mesa) práticos para o trabalho, cadeiras e iluminação apropriadas, além de avançado sistema de conexão à internet. Projetado de acordo com as normas municipais de cada região para funcionamento dos hotéis, o serviço será disponível durante 24 horas, em todos os hotéis da rede.

As unidades Blue Tree Premium Faria Lima, localizado no bairro Itaim Bibi, e Blue Tree Premium Verbo Divino, localizado no bairro Chácara Santo Antônio, regiões oeste e sul da capital paulista, respectivamente, serão as primeiras a disponibilizar a novidade no Estado de São Paulo. Os hotéis anunciam a retomada de suas atividades para esta segunda-feira (13), seguindo rigoroso protocolo de segurança, além das regras do decreto de distanciamento controlado, do Governo do Estado de São Paulo.

“Os hóspedes serão recebidos com rigoroso protocolo de segurança da Blue Tree Hotels, desde o web check-in via reconhecimento facial, até o check-out. Vale ressaltar, também, que a higienização dos quartos e das áreas comuns seguem o mesmo padrão de segurança e de higiene, sob olhar detalhado e de cuidados que nos motiva a receber os nossos hóspedes e clientes”, completa Chieko Aoki.

Além do serviço de café e chá, o hóspede poderá solicitar kit de relaxamento, papelaria, ginástica, cardápio de petiscos e refeições e ainda opção de cuidados para pets, em unidades que disponibilizam o serviço especial. As opções não inclusas na diária.

O protocolo de segurança da Blue Tree Hotels, revisado e aprimorado continuamente para garantir ao máximo a proteção de colaboradores, clientes e parceiro, está disponível no site oficial da rede. O calendário de abertura dos hotéis prevê o anúncio, em breve, das unidades Blue Tree Towers Anália Franco, Blue Tree Premium Morumbi, Blue Tree Premium Paulista, além do Blue Tree Premium Alphaville, em Barueri, região metropolitana de São Paulo.

Stefanini adquire Holding Haus, dona da agência W3haus

São Paulo – A transformação digital trouxe novamente o cliente para o centro da estratégia de negócios. Cada vez mais, as empresas estão incorporando, de maneira profissional, o conceito de Customer Experience (CX). E para compreender a jornada do cliente e ficar alinhado com suas necessidades e propósito, o marketing digital desempenha um papel importante. A fim de ampliar o escopo de trabalho neste segmento, a Stefanini , referência em soluções digitais, anuncia a aquisição da holding Haus .

A Haus é um ecossistema de comunicação com quatro empresas, sendo a agência de propaganda W3haus a maior delas. Criada há 20 anos em Porto Alegre, com operações em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, tem entre seus clientes Ambev, Bauducco, O Boticário, HBO, Panvel, Petrobras, Santander, Tramontina, entre outros.

Focadas em solucionar problemas estratégicos dos clientes criando plataformas de conversa, experiência e conteúdo, as agências fomentarão o ambiente de inovação da Stefanini, que desde 2015 vem realizando uma série de aquisições para compor seu portfólio. A empresa de origem gaúcha integrará o hub de marketing digital da Stefanini, que também conta com a consultoria Gauge , Inspiring e com a romena Infinit .

De acordo com Guilherme Stefanini, diretor de Novos Negócios do Grupo Stefanini, a chegada da Haus coincide com o momento de crescimento da Stefanini Ventures que, nos últimos quatro anos, multiplicou o faturamento inicial em 9 vezes, sendo que a expectativa é atingir 20 vezes nos próximos dois anos. “A aquisição reforça nossa capacidade de apoiar nossos clientes na cocriação de soluções digitais, da concepção, construção até a comunicação e estratégia de go-to-market”, afirma o executivo.

Para Tiago Ritter, que permanecerá como CEO da W3haus e no conselho da holding Haus, há uma tendência mundial de as empresas se unirem para complementar competências. “Além da sinergia entre as ofertas de marketing digital, queremos estar conectados a um grupo que se destaca pela inovação no mercado global. Já tivemos algumas oportunidades de nos unirmos a grupos internacionais, mas nunca encontramos uma sinergia de pensamento e de valores como no grupo Stefanini. Tenho certeza de que essa união vai gerar uma expansão não só no Brasil, mas ajudar a Stefanini a ser referência de marketing no mundo”.

A W3haus e as outras empresas do grupo continuarão operando de maneira independente. A única mudança significativa é a saída do sócio-fundador Chico Baldini. Ele decidiu se dedicar totalmente a outras atividades que já vinha desenvolvendo, como as artes plásticas. Tiago Ritter e Alessandro Cauduro seguirão como sócios na Haus, com suas funções executivas nas empresas do ecossistema, juntamente com outros sócios minoritários – Fernanda Tegoni, Guilherme Natorf, Larissa Magrisso e Rafael Macedo.

“Com a aquisição, queremos levar ao mercado novas ofertas em marketing digital, que permitam compreender a jornada do cliente, gerar insights e estratégias de negócios, como foco na experiência do consumidor. Realizar análises avançadas de dados dos clientes é fundamental para nutrir o relacionamento e diferenciar as marcas”, complementa Marco Stefanini, fundador e CEO global da Stefanini, que espera realizar mais duas aquisições este ano – uma no Brasil e outra no exterior.

Exportações do agronegócio batem recorde para meses de junho e ultrapassam US$ 10 bilhões

As exportações do agronegócio foram recordes para os meses de junho nesse mês de junho de 2020, com registros de vendas externas de US$ 10,17 bilhões. Houve crescimento de 24,5% em relação às exportações em junho de 2019 (US$ 8,17 bilhões).

De acordo com o Boletim da Balança do Agronegócio, divulgado nesta sexta-feira (10) pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SCRI-Mapa), em nenhum ano da série histórica (1997-2020) as exportações do agronegócio ultrapassaram US$ 10 bilhões para meses de junho.

O principal setor responsável pelo crescimento das exportações foi o complexo soja. As vendas externas do setor subiram de US$ 3,53 bilhões em junho de 2019 para US$ 5,42 bilhões em junho de 2020, o que representa uma alta de 53,4% ou quase US$ 1,9 bilhão de crescimento em valores absolutos. Para efeito de comparação, as exportações do agronegócio cresceram US$ 2,0 bilhões comparando-se junho de 2019 e junho de 2020.

A exportação de soja em grãos (13,8 milhões de toneladas) teve grande influência nestes valores, alcançando US$ 4,67 bilhões em junho de 2020, com expansão do quantum em 5,2 milhões de toneladas na comparação dos meses de junho de 2020 e 2019. A SCRI também ressalta a retomada das exportações de açúcar, que subiram quase 1,5 milhão de toneladas relativo aos dois períodos.

A China foi o principal país responsável pela expansão do volume exportado pelo Brasil, adquirindo 70% da soja em grãos brasileira em junho. O país asiático elevou ainda as aquisições de produtos do agronegócio brasileiro em US$ 1,3 bilhão entre junho de 2019 e junho de 2020: 65% do crescimento em valores absolutos das exportações brasileiras do agronegócio observados junho de 2019 e junho de 2020.

O agronegócio brasileiro aumentou a sua participação nas exportações brasileiras de 44,4% (junho-2019) para 56,8% no mês pesquisado. Por sua vez, as importações do agronegócio diminuíram de US$ 984,55 milhões (junho 2019) para US$ 826,28 milhões em junho de 2020 (-16,1%). Desta forma, o saldo da balança atingiu US$ 9,3 bilhões.

Carnes

As vendas externas de carnes foram de US$ 1,41 bilhão (4,5%). O volume exportado de carnes foi recorde para os meses de junho (626,5 mil toneladas). A carne bovina representou mais da metade do valor exportado de carnes, com registros de US$ 742,56 milhões. Tanto o valor mencionado como o volume (176,6 mil toneladas) foram recordes para os meses de junho.

A carne suína também apresentou valor e volume recorde em vendas externas para o mês de junho. As exportações foram de US$ 196,86 milhões, com volume de 95 mil toneladas. Já as exportações de carne de frango foram de US$ 438,23 milhões (-32,1%), com queda de 13,6% no volume exportado e redução de 21,4% no preço médio de exportação.

A China se destacou mais uma vez nas aquisições de carnes brasileiras, tendo importado metade da carne bovina e suína exportada pelo Brasil. A participação da China nas aquisições de carne de frango também foi relevante, chegando a 23,7% do total exportado.

Álcool e açúcar

O complexo sucroalcooleiro foi o setor que teve o maior aumento percentual das exportações dentre os principais setores exportadores do agronegócio brasileiro, elevando-se 74,5% na comparação entre junho de 2019 e junho de 2020, passando de US$ 536,12 milhões para US$ 935,37 milhões.

As exportações de açúcar de cana representaram a maior parte do valor exportado pelo setor, com US$ 810,80 milhões (+80,4%) e quase 3 milhões de toneladas exportadas (+94,8%).

O álcool também registrou elevação nas vendas externas, subindo de US$ 85,83 milhões (junho de 2019) para US$ 122,71 milhões exportados em junho deste ano.

De acordo com a SCRI, o crescimento das exportações brasileiras de cana de açúcar está vinculado à quebra das safras de cana de açúcar 2019/2020 na Índia e na Tailândia, que possibilitou a ampliação das exportações para diversos mercados. A Indonésia é um mercado que não importou nada de açúcar brasileiro em junho de 2019 e adquiriu US$ 86,78 milhões no mês passado.

Cabernet Seleção Especial é aposta da startup Fabenne

Primeira marca de vinhos a trabalhar exclusivamente com tecnologia bag-in-box no Brasil, a Fabenne acaba de lançar uma novidade especialmente para o inverno: Cabernet Seleção Especial, vinho tinto produzido com uvas Cabernet Sauvignon.

Em edição limitada e desenvolvida em parceria com a cooperativa Vinícola São João, na Serra Gaúcha, cada “caixinha” de Fabenne contém 3 litros do vinho, o equivalente há 4 garrafas tradicionais da bebida ou até 20 taças.

Sua tecnologia tem como objetivo evitar a oxidação do vinho, uma vez que o produto fica acondicionado em uma camada resinada própria para a bebida, com um dispenser hermético que impede a entrada de ar quando se serve a taça. “Somos um dos poucos vinhos do mundo, que passa a bebida pelo barril de carvalho e oferece no bag-in-box. Um vinho 100% Sauvignon, mais encorpado e ótima opção para harmonizar com uma boa massa, como Spaghetti con Polpette ou o Bavette ao Ragu de Bovino, por exemplo”, afirma, Adriano Santucci, CEO e co-fundador da Fabenne.

As bebidas estão disponíveis para compras online no site da marca e também na Amazon.

PIX deve ajudar a baixar custo operacional do varejo

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, disse em um vídeo gravado na segunda-feira e exibido durante evento sobre o PIX, que “a possibilidade de consumidores fazerem saques em lojas, que será aberta pelo PIX, vai baixar o custo operacional da negociação no varejo”.

A informação é da Reuters e diz que Campos Neto afirmou “que essa será uma solução, considerando a realidade de muitas cidades, especialmente no interior do Norte e Nordeste, onde há dificuldade para transporte de numerários.”

O articulista do e-commerce Brasil, Rodolfo Oliveira da Silva lembrou que há no mundo, atualmente, 54 países que realizam Pagamentos Instantâneos (PI) e que desde a publicação do Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro 2013, o BC vinha incentivando o desenvolvimento dessa ideia.

O principal objetivo do BC, com o PIX, é aumentar a eficiência e a competitividade do mercado de pagamentos de varejo no Brasil, por meio da criação de um novo meio de pagamento que ajudará no processo de digitalização do mercado brasileiro.

O PIX será, na visão de Rodolfo, um grande divisor de águas na indústria online, sendo uma forma de pagamento mais amigável, sem atritos na experiência de compras do consumidor, sem mudanças de telas no checkout, funcional e transparente para todos os tipos de devices, além de não ter custos abusivos aos e-commerces.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, disse ainda, segundo a Reuters, que há cidades que não têm caixas eletrônicos e que o PIX pode ajudar nesse sentido, com a participação dos comércios locais.

Campos Neto disse que a “ideia é fazer com que qualquer estabelecimento comercial seja um lugar onde as pessoas possam sacar dinheiro. Isso vai ser bom para as pessoas, porque elas vão precisar ter menos dinheiro na carteira. Vai ser bom para os estabelecimentos porque vão otimizar o volume de dinheiro que vão manter em estoque”.

Câmara aprova MP de crédito para MEI e microempresa através de maquininha

A Câmara dos Deputados aprovou na quinta-feira (09) o texto-base da medida provisória (MP) 975, de incentivo ao crédito durante a crise do coronavírus. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado.

A proposta inclui a possibilidade de que microempreendedores individuais (MEI) e pequenos negócios tomem empréstimos por meio de maquininhas de cartão.

A medida foi editada pelo governo no início de junho e, orginalmente, previa apenas um programa de crédito para empresas com faturamento entre R$ 360 mil a R$ 300 milhões, por meio de um fundo de R$ 20 bilhoes.

A Câmara manteve essa modalidade, mas inseriu no texto a modalidade aos negócios de menor porte. O crédito aos pequenos foi incluído pelo relator do texto na Câmara, Efraim Filho (DEM-PB).

A nova modalidade permite que MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte contratem financiamentos diretamente nas maquininhas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a mudança melhorou o texto.

“(A MP) não veio completa. Agora, com o deputado Efraim, governo e equipe construíram um texto muito positivo, entraram no microcrédito com máquinas (de cartão)” — afirmou Maia, durante conversa com investidores transmitida ao vivo.

Para o parlamentar, a medida precisava focar no crédito aos pequenos: “Demos solução junto com o BNDES para problemas jurídicos de ajuda a grandes empresas. Pelo que ouvi de ex-presidente do BC (Banco Central) a matéria ficou muito boa e, aprovada, vai enfim garantir – e essa foi a grande preocupação – crédito pro pequeno micro e médio empresário”.

A medida também é bem avaliada pela equipe econômica. Em entrevista ao GLOBO, o assessor especial do Ministério da Economia, Guilherme Afif Domingos, afirmou que a ideia pode ter ‘vindo para ficar’.

Regras

O novo sistema com maquininhas permite que vendas futuras feitas por meio dos aparelhos funcionarão de garantia para os empréstimos. A taxa de juros será de até 6% ao ano e o limite de cada operação será de R$ 50 mil.

O prazo para começar a pagar as parcelas será de seis meses. Tomadores terão até 36 meses para quitar o financiamento, incluindo a carência.

A medida prevê um aporte de R$ 10 bilhões do Tesouro Nacional, que deverão ser repassados ao BNDES, que será responsável por coordenar o programa.

Para participar do programa, interessados devem ter vendido bens ou prestado serviços por meio das maquininhas em pelo menos um dos meses entre janeiro e março. Além disso, não podem ter comprometido vendas futuras como garantia para outras operações de crédito.

Marketplaces de farmácia crescem até dez vezes na pandemia

Quase quatro meses após o começo do isolamento social no Brasil e com as cidades ainda reabrindo aos poucos, analistas já apontam que a pandemia trouxe uma mudança de patamar sem volta ao comércio eletrônico brasileiro. Alguns setores que ainda engatinhavam nesta frente, em especial, podem sair beneficiados no longo prazo. O de farmácias foi um deles.

Serviços de farmácia online, que ainda sofriam para convencer os clientes a comprar pela internet, viram altas de mais de dois dígitos em alguns destes meses de pandemia. E têm agora o desafio de convencer alguns desses clientes a seguirem comprando pela internet nos próximos meses.

O e-commerce de produtos farmacêuticas atingiu quase 8% de participação em todas as vendas desse segmento em abril, segundo dados da Mastercard citados em relatório do banco BTG Pactual. Antes da pandemia, a média geral de participação online no varejo brasileiro era de cerca de 6% — com projeção de que termine o ano em mais de 10% diante do crescimento do e-commerce neste ano.

O marketplace catarinense Farmácias App, que tem mais de 10.000 downloads e entregas em até quatro horas para Santa Catarina e a cidade de São Paulo, teve alta de 938% em transações em seu aplicativo na comparação com o período pré-covid neste ano. O levantamento é entre 18 de março a 25 de maio, ante o período anterior em 2020.

No site da empresa, para quem não tem o aplicativo instalado, as altas em número de usuários, receita e transações também foram superiores a 300%. A receita subiu 662% e o número de usuários, 825%.

Como no setor de supermercados, o crescimento online das farmácias aconteceu mesmo com os estabelecimentos físicos continuando abertos durante a pandemia. Com cerca de 50% ou mais da população em isolamento na maior parte do tempo, comprar online se tornou uma demanda dos clientes. Muitos consumidores idosos, por exemplo — um dos principais públicos atendidos pelo setor –, estavam impossibilitados de sair de casa. Assim, os negócios precisaram encontrar alternativas.

A legislação também mudou no período. Compras de antibióticos, que exigem receita média, nunca foram autorizadas online. Com a pandemia, uma receita digital passou a valer, o que destravou as possibilidades do setor.

No marketplace de farmácias Consulta Remédios, de Curitiba, que tem mais de 20 milhões de usuários mensais e 100 farmácias cadastradas, os números também começaram a voltar a uma perspectiva menos exponencial em maio. No mês, o aumento foi de quase 8% tanto em tráfego do site quanto em transações de pedidos em relação ao mês anterior, abril, que teve queda de 14% após o pico no começo da pandemia.

As buscas refletem ainda parte do cenário da pandemia, como a procura por remédios relacionados a gripe, como o Tamiflu (o mais vendido do mês, com alta de 40%), e aos medicamentos que aparecem em pesquisas contra a covid-19, como a Ivermectina (o produto mais buscado, cujas buscas mais que dobraram em um mês).

Além dos apps de nicho, houve quem buscasse criar a própria loja ou vender em marketplaces menos especializados. A empresa de serviços de gestão no varejo Linx, que tem mais de 15.000 farmácias clientes, fechou durante a quarentena uma parceria para venda de itens de farmácias clientes no marketplace da B2W, dona de Americanas.com, Submarino.

Levantamento exclusivo da Linx com 9.000 farmácias feito a pedido da EXAME mostra alta de 15% nas vendas entre fevereiro e maio. Os dados da Linx incluem o varejo farmacêutico físico.

Mês a mês, os dados mostram um pico fora do comum entre fevereiro e março, com alta de 22% nas vendas. Depois, o setor foi voltando ao normal: após a alta, houve uma queda entre março e abril e, em maio, uma ligeira recuperação de 5%. O ticket médio foi de 36,32 reais na média mensal.

A empresa também criou um sistema de site e aplicativo online para as farmácias clientes, que o estabelecimento pode adaptar com seu logo e produtos e começar a vender online rapidamente. “Muitas farmácias ainda não tinham estrutura para vender online e precisaram se voltar de uma hora para outra à internet”, disse Jean Klaumann, vice-presidente de digital da Linx, em entrevista à EXAME em abril.

Incluindo o e-commerce não-especializado, os itens de saúde estão entre os que mais cresceram em vendas online diante do coronavírus, subindo 135% no período entre o fim de fevereiro e maio, segundo a empresa de inteligência de mercado Compre&Confie. A procura foi alta por sobretudo por itens como álcool em gel, vitaminas e outros produtos relacionados à pandemia.

A alta nas farmácias online chamou atenção até mesmo dos fraudadores. Esse segmento foi o que mais cresceu em número de tentativas de fraude bloqueadas na pandemia, segundo a empresa anti-fraude ClearSale, líder neste mercado no Brasil. Segundo os dados da ClearSale, as tentativas de fraudes em farmácias subiram 60% em abril na comparação com o mesmo período do ano passado.

Legado da pandemia

Agora, após a “corrida às farmácias” no começo da pandemia, o próximo passo do setor dependerá de o quanto os clientes da quarentena vão se fidelizar às compras online.

A Raia Drogasil, maior rede de farmácias do país, lançou um serviço de entrega grátis para clientes no mesmo bairro das unidades, visando sobretudo idosos, além de ampliação de modelos de retirada das compras online, já disponível em todas as lojas. Aos investidores, afirmou que prentende continuar investindo na digitalização.

A empresa anunciou em seu balanço do primeiro trimestre que os canais digitais cresceram 213% entre janeiro e março, chegando a 2,7% das vendas totais — o valor chegou a 3,5% em março, último mês com dados disponíveis. O aplicativo atingiu mais de 2 milhões de downloads, ante 1,2 milhão no fim de 2019.

Até agora, a participação geral das farmácias no e-commerce era baixa. No ano passado, as vendas online de saúde representaram na casa do 1% em vendas totais do e-commerce brasileiro. Neste ano, chegaram a quase 3% em março, segundo a Compre&Confie.

O monitoramento da Compre&Confie engloba 85% do varejo online brasileiro, sem incluir o Mercado Livre. Mas o mesmo comportamento foi visto na plataforma argentina, que responde por um terço das vendas online no Brasil: até o começo de maio, os pedidos por itens de saúde e equipamentos médicos haviam subido 300% na empresa.

Os dados internos da plataforma mostram também o movimento de volta à normalidade. O pico da procura por itens de saúde ocorreu no fim de março, início da quarentena no Brasil. Depois, tanto no Brasil quanto no restante da América Latina, as taxas de procura por saúde começam a retornar aos níveis pré-pandemia.

Ainda assim, os números apontam que muitos clientes intensificaram sua frequência de compra no geral, o que pode beneficiar também as farmácias, incluindo para itens como cosméticos.

Na média de todas as categorias, os chamados compradores leais no Mercado Livre, que compravam em média a cada 17 dias, reduziram a frequência para 12 dias entre fevereiro e abril. Quem comprava a cada 79 dias, os compradores “frequentes”, passaram a comprar a cada 24 dias.

Por fim, os compradores “esporádicos”, que compravam uma vez a cada 268 dias em média, compraram a cada 29 dias.

Os próprios dados da Linx mostram, na outra ponta, um dos desafios do setor para o crescimento de longo prazo: mais de 60% das compras monitoradas pela empresa foram em dinheiro, isto é, usando as farmácias físicas, mesmo durante a pandemia. Os custos de frete, que podem representar uma porcentagem alta das compras mais baratas, são uma das barreiras em potencial para o setor.

O caminho é longo. Mas, com muitos clientes tendo comprado um item de farmácia online pela primeira vez nos últimos meses, as empresas no setor esperam seguir ganhando no “novo normal” — dos pequenos aplicativos especializados aos grandes varejistas.

Supermercados online estimulam contratações no setor

Em meio ao fechamento de milhares de postos de trabalho nos últimos meses, movimento potencializado pela pandemia do novo coronavírus, serviços essenciais, como supermercados, ainda conseguem contratar funcionários. Com a inauguração do primeiro centro de distribuição de e-commerce em Brasília, na última quarta-feira, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) gerou 150 empregos diretos na capital, com o potencial de chegar a até 500.

No país, o GPA contratou mil funcionários entre março e abril para trabalhar com pedidos feitos pela internet, seja nos centros de distribuição, seja nas lojas on-line. Com outros três centros de distribuição que devem ser inaugurados até o fim do ano — em Minas Gerais, Ceará e Pernambuco —, a expectativa é de abertura de mais 500 vagas.

Com o aumento da procura por supermercado on-line, o grupo espera fechar o ano com, pelo menos, 1,6 mil contratações só no e-commerce. A capacidade inicial de operação de cada centro pode triplicar, de acordo com a demanda, o que levaria à busca de novos funcionários, explica o diretor de e-commerce Rodrigo Pimentel. “Em Brasília, dobramos a capacidade de atendimento, mas temos condições de aumentar ainda mais”, diz.

Demanda crescente

O serviço de supermercado com entrega em casa já começava a virar uma tendência antes da pandemia. Nos últimos dois anos, as operações do Grupo Pão de Açúcar no e-commerce cresceram, em média, 40%. Um processo natural, pelo comportamento cada vez mais digitalizado das pessoas, em diversas áreas. Mas em março, mês em que o país decretou estado de calamidade pública e milhões de brasileiros se fecharam em casa para fugir da covid-19, a alta foi de 80%.

Devido às recomendações de isolamento social, pessoas que, antes, não conheciam o serviço começaram a usá-lo. O número de clientes acima de 60 anos no e-commerce alimentar do Extra, do GPA, quintuplicou em menos de três meses. “Foi um crescimento muito surpreendente, mas intuitivo, porque são pessoas que não podem sair”, observou Pimentel. Segundo ele, 38% dos clientes do e-commerce desde março têm mais de 50 anos.

A demanda acima do esperado levou o GPA a antecipar a inauguração do centro de distribuição de Brasília para o início de julho. Ela estava prevista para o fim do ano, antes da Black Friday, em novembro. O mesmo aconteceu no Rio e em São Paulo, além dos outras três unidades que estão no radar. O grupo tinha dois centros em março, no início da pandemia, e deve fechar o ano com oito.

Expectativas

“Os planos de ampliação já estavam aprovados. O que fizemos foi antecipar a execução. O que faríamos em dois anos fizemos em três meses”, conta Pimentel. “Ninguém está comemorando esses números em função de terem acontecido dentro de um problema social e de saúde. Não tem lado bom na pandemia. O que estamos fazendo é reagir à demanda de um setor essencial, que coloca comida na casa das pessoas”, afirma.

Pimentel não acha que a demanda vá diminuir depois da pandemia. “Esse interesse deve se manter, porque a maior fronteira para o e-commerce alimentar era conhecê-lo”, considera. Além da comodidade recém-descoberta por muitas pessoas, ele ressalta que o preço é o mesmo das lojas físicas. “O serviço, essencial, neste momento, passa a ser considerado na rotina de muita gente”, acredita. “Ninguém está comemorando esses números em função de terem acontecido dentro de um problema social e de saúde. Estamos reagindo à demanda, colocando comida na casa das pessoas”

Nova solução monitora fluxo de pessoas no varejo

A Linx acaba de lançar a solução Linx Gestão de Fluxo, desenvolvida para que os lojistas possam controlar o volume de entrada e saída de consumidores, assim como a temperatura corporal e o uso de máscaras. O objetivo é adequar o varejo ao momento de reabertura do comércio e proteger a saúde dos clientes, evitando aglomerações.

Neste sentido, a solução entregará a contagem de pessoas na entrada e saída do estabelecimento, leitura termográfica em todos os envolvidos nas operações comerciais, como colaboradores, fornecedores e clientes, além da checagem da conformidade com a exigência do uso obrigatório da máscara em espaços públicos. Em relação à temperatura, a tecnologia trabalha para evitar a exposição de um funcionário com o termômetro na mão, que além de gerar custo, corre risco de contaminação.

Para realizar a gestão, são instalados sensores nas portas de acesso às lojas que calculam automaticamente a ocupação do estabelecimento e enviam os dados para a nuvem, aplicando a contagem em demonstração por um monitor. Todos os parâmetros de alertas e quantidade máxima de clientes são administrados e inseridos pelo lojista, de acordo com seu planejamento de ocupação. A tecnologia monitora até 30 pessoas simultaneamente no uso de máscara e temperatura.

O Gestão de Fluxo está disponível em três pacotes diferentes: Básico, com apenas o controle de fluxo; Pro, com a adição da leitura térmica; e Avançado, que conta também com a detecção do uso de máscara. A solução está disponível para adesão de lojas e magazines, shopping e home centers e supermercados.

“Esta tecnologia funcionará para auxiliar nossos clientes na retomada do varejo. É necessário que os consumidores se sintam seguros para voltar a comprar presencialmente, e para isso a Linx buscou parcerias para oferecer uma ferramenta que, com esse monitoramento minucioso de temperatura, ocupação e máscaras, estimula a presença das pessoas de forma controlada”, explica Ricardo Pinho, diretor executivo da Linx Bridge.