Brasil cria 889 mil empresas no 1º tri, recorde para o período em 20 anos

São Paulo – A criação de novas empresas bateu recorde no primeiro trimestre deste ano, segundo a Serasa Experian. Dados do Indicador de Nascimento de Empresas apontam que foram registrados 889.003 novos empreendimentos no acumulado dos três primeiros meses deste ano, o maior número observado para o período desde 2010, início da série histórica da companhia. O volume constatado no primeiro trimestre de 2020 é 17,1% superior ao de igual período de 2019, quando 759.257 novas empresas haviam sido abertas.

Quando considerado apenas o último mês de março, o surgimento de novas empresas aumentou em 24,0%, a maior expansão do ano. Já na passagem de fevereiro para março, sem ajuste sazonal, houve uma alta de 10,4%.

Em cada dez empresas criadas entre janeiro e março deste ano, sete (69,6%) atuam no segmento de serviços. O comércio responde por uma fatia de 21,8% dos novos empreendimentos, ao passo que as indústrias representam 7,4% do total de empresas abertas em 2019.

Na avaliação do economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, a necessidade de gerar renda em meio ao desemprego tem sido um dos principais motivadores da atividade empreendedora no país. “O custo de abrir o negócio é um fator que pesa na decisão dos novos empreendedores. Despontam aquelas empresas que exigem pouco investimento para equipamentos, não precisam de ponto comercial para funcionar e que dependem, basicamente, da mão de obra do empreendedor”, analisa Rabi.

700 mil novos MEIs

Os microempreendedores individuais (MEIS) são a maior parcela dos negócios criados no primeiro trimestre deste ano. Com um crescimento de 11,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, elas representam 79,3% das aberturas, o que contabiliza 707.022 novos CNPJs que se encaixam nesta natureza jurídica.

As empresas classificadas como Sociedades Limitadas tiveram um crescimento robusto no último trimestre, com um avanço de 60,4% na abertura de novos empreendimentos, mas representam apenas 8,5% do universo de novos negócios, o que significa 75.939 empresas criadas no período. Já as Empresas Individuais perderam espaço no último trimestre, com uma queda de 13,2% – respondendo por uma fatia de 4,1% total de empresas abertas no último trimestre (36.058 novos empreendimentos no período).

Para Rabi, o atual cenário de aumento das demissões em virtude dos impactos do isolamento social sugere que o indicador deverá crescer nos próximos meses, impulsionando a criação de MEIs, modalidade mais comum entre pessoas que recorrem ao empreendedorismo por necessidade. “Pessoas que perderam o emprego neste momento de incertezas econômicas buscam no empreendedorismo e no trabalho por conta própria, geralmente feito de casa, uma saída para voltar ao mercado”, analisa.

Estados do Norte lideram

Dos cinco Estados que lideram o ranking abertura de novas empresas do último trimestre, três estão localizados na região Norte: Amazonas (46,9%), Pará (35,2%) e Roraima (31,9%). A lista ainda conta com Sergipe em terceiro lugar (32,1%) e Maranhão em quinto (31,7%). O Estado que apresentou o avanço mais modesto no nascimento de empresas é a Bahia, com alta de 7,8%.

Embora a região Sudeste tenha apresentado o menor crescimento de novas empresas no primeiro trimestre deste ano (14,7%), ela detém, em números absolutos, a maior quantidade de novos negócios: 462.555. O Norte, com 45.248 empresas criadas no período, desponta na liderança do crescimento, com uma alta de 30,7%. Depois aparecem o Sul (20,2%), Centro-Oeste (20,0%) e Nordeste (16,2%).

Transações online aumentam na AL e Caribe

O número de transações de e-commerce realizadas em maio pelos consumidores da região da América Latina e Caribe, quando comparado às médias de janeiro e fevereiro de 2020, subiu 6 pontos percentuais na categoria de gastos essenciais, que inclui alimentos, mercadorias em geral, despesas médicas e supermercado. É o que diz um levantamento da Visa realizada pela Visa Consulting & Analytics (VCA), sua consultoria estratégica. Além disso, o número de transações de débito realizadas via e-commerce na região subiu 8 pontos percentuais.

O percentual anual de mudança no número de transações realizadas online vs. o número de transações realizadas presencialmente foi 5,8 vezes mais alto em maio de 2020, quando comparado à média de janeiro e fevereiro de 2020, o que mostra uma aceleração no uso de pagamentos digitais online por parte dos portadores de cartão da região no período analisado, durante a pandemia de COVID-19.

A análise é realizada com base nos dados transacionais da VisaNet de janeiro a maio de 2019 e de 2020, comparando o número de transações semana a semana durante o período acima citado. A análise inclui países e territórios da região América Latina e Caribe.

Exportações do agronegócio batem recorde para meses de junho e ultrapassam US$ 10 bilhões

As exportações do agronegócio foram recordes para os meses de junho nesse mês de junho de 2020, com registros de vendas externas de US$ 10,17 bilhões. Houve crescimento de 24,5% em relação às exportações em junho de 2019 (US$ 8,17 bilhões).

De acordo com o Boletim da Balança do Agronegócio, divulgado nesta sexta-feira (10) pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SCRI-Mapa), em nenhum ano da série histórica (1997-2020) as exportações do agronegócio ultrapassaram US$ 10 bilhões para meses de junho.

O principal setor responsável pelo crescimento das exportações foi o complexo soja. As vendas externas do setor subiram de US$ 3,53 bilhões em junho de 2019 para US$ 5,42 bilhões em junho de 2020, o que representa uma alta de 53,4% ou quase US$ 1,9 bilhão de crescimento em valores absolutos. Para efeito de comparação, as exportações do agronegócio cresceram US$ 2,0 bilhões comparando-se junho de 2019 e junho de 2020.

A exportação de soja em grãos (13,8 milhões de toneladas) teve grande influência nestes valores, alcançando US$ 4,67 bilhões em junho de 2020, com expansão do quantum em 5,2 milhões de toneladas na comparação dos meses de junho de 2020 e 2019. A SCRI também ressalta a retomada das exportações de açúcar, que subiram quase 1,5 milhão de toneladas relativo aos dois períodos.

A China foi o principal país responsável pela expansão do volume exportado pelo Brasil, adquirindo 70% da soja em grãos brasileira em junho. O país asiático elevou ainda as aquisições de produtos do agronegócio brasileiro em US$ 1,3 bilhão entre junho de 2019 e junho de 2020: 65% do crescimento em valores absolutos das exportações brasileiras do agronegócio observados junho de 2019 e junho de 2020.

O agronegócio brasileiro aumentou a sua participação nas exportações brasileiras de 44,4% (junho-2019) para 56,8% no mês pesquisado. Por sua vez, as importações do agronegócio diminuíram de US$ 984,55 milhões (junho 2019) para US$ 826,28 milhões em junho de 2020 (-16,1%). Desta forma, o saldo da balança atingiu US$ 9,3 bilhões.

Carnes

As vendas externas de carnes foram de US$ 1,41 bilhão (4,5%). O volume exportado de carnes foi recorde para os meses de junho (626,5 mil toneladas). A carne bovina representou mais da metade do valor exportado de carnes, com registros de US$ 742,56 milhões. Tanto o valor mencionado como o volume (176,6 mil toneladas) foram recordes para os meses de junho.

A carne suína também apresentou valor e volume recorde em vendas externas para o mês de junho. As exportações foram de US$ 196,86 milhões, com volume de 95 mil toneladas. Já as exportações de carne de frango foram de US$ 438,23 milhões (-32,1%), com queda de 13,6% no volume exportado e redução de 21,4% no preço médio de exportação.

A China se destacou mais uma vez nas aquisições de carnes brasileiras, tendo importado metade da carne bovina e suína exportada pelo Brasil. A participação da China nas aquisições de carne de frango também foi relevante, chegando a 23,7% do total exportado.

Álcool e açúcar

O complexo sucroalcooleiro foi o setor que teve o maior aumento percentual das exportações dentre os principais setores exportadores do agronegócio brasileiro, elevando-se 74,5% na comparação entre junho de 2019 e junho de 2020, passando de US$ 536,12 milhões para US$ 935,37 milhões.

As exportações de açúcar de cana representaram a maior parte do valor exportado pelo setor, com US$ 810,80 milhões (+80,4%) e quase 3 milhões de toneladas exportadas (+94,8%).

O álcool também registrou elevação nas vendas externas, subindo de US$ 85,83 milhões (junho de 2019) para US$ 122,71 milhões exportados em junho deste ano.

De acordo com a SCRI, o crescimento das exportações brasileiras de cana de açúcar está vinculado à quebra das safras de cana de açúcar 2019/2020 na Índia e na Tailândia, que possibilitou a ampliação das exportações para diversos mercados. A Indonésia é um mercado que não importou nada de açúcar brasileiro em junho de 2019 e adquiriu US$ 86,78 milhões no mês passado.

Cafés do tipo arábica são 63% das exportações em nível mundial

As exportações de café, em nível mundial, no acumulado de oito meses seguidos, no período de outubro de 2019 a maio de 2020, totalizaram 83,81 milhões de sacas 60kg, volume físico que representa uma ligeira queda de 4,7%, se comparado com o mesmo período anterior, cujo volume exportado foi de 87,96 milhões de sacas.

No mesmo período objeto deste comparativo, também em nível mundial, de outubro de 2019 a maio de 2020, vale destacar que as exportações dos cafés do tipo Suaves Colombianos atingiram 9,33 milhões de sacas, número que representou uma queda de 7,9%, e, ainda, que os cafés classificados como Outros Suaves diminuíram 7,4% ao somarem 16,58 milhões de sacas. Quanto aos cafés do tipo Naturais Brasileiros, cujo volume exportado foi de 26,23 milhões de sacas, tal venda representou uma redução de 9,6%.

Dessa forma, as exportações mundiais dos cafés do tipo arábica totalizaram 52,14 milhões de sacas, volume que representa aproximadamente 62,34% desse total e, em contrapartida, os cafés do tipo Robusta, que registraram aumento de 2,5% nas exportações, com 31,67 milhões de sacas, atingiram 37,7% do volume total vendido aos países importadores no período citado, de outubro de 2019 a maio de 2020.

Desde o início da pandemia, e-commerce brasileiro já ganhou 135 mil lojas

A pandemia tem impulsionado o e-commerce, pois as pessoas passaram a comprar pela internet produtos que estavam acostumadas a adquirir em lojas físicas. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), desde o início da pandemia mais de 135 mil lojas aderiram às vendas pelo comércio eletrônico para continuar vendendo e mantendo-se no mercado. A média mensal antes da pandemia era de 10 mil lojas por mês.

A instituição diz que os setores mais aquecidos na abertura de estabelecimentos virtuais são os de moda, alimentos e serviços. “É importante ressaltar que essas 135 mil são lojas ativas e que realmente têm produtos/serviços para oferecer. Ou seja, um número gigante de lojas realmente ativas e vendendo”, diz o presidente da ABComm, Maurício Salvador.

Em junho, a associação observou aumento de reclamações relacionadas à demora de entrega de infraestrutura das lojas virtuais. Uma das maiores empresas do ramo, a Vtex, chegou a fazer, ainda em maio deste ano, uma transmissão ao vivo para clientes explicando falhas relativas ao aumento de demanda da sua plataforma Loja Integrada, que atende pequenos varejistas, como noticiou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Para Maurício Salvador, apesar dos percalços, o setor tem reagido bem. “A corrida de abertura é muito grande e o panorama é novo para todos que colocaram sua loja online durante a pandemia, mas a resposta do setor de forma geral foi muito positiva inclusive em relação a questões logísticas”, diz o presidente.

Planos de saúde registram queda de beneficiários na pandemia

Cai o número de beneficiários de planos de saúde em todo o País. O total de vínculos de planos médico-hospitalares registrou baixa de 0,3% no período de 12 meses encerrado em maio deste ano. Os números integram a Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). No total, o segmento volta a ficar abaixo dos 47 milhões de beneficiários, alcançado no último ano após sucessivas perdas.

“No comparativo de 12 meses, o setor perdeu pouco mais de 124 mil beneficiários. No entanto, só entre os meses de abril e maio, houve queda de 283 mil vínculos. O que acende uma luz de alerta para o setor”, aponta José Cechin, superintendente executivo do IESS. “Esses dados refletem a queda da atividade econômica causada pela forte crise na saúde, provocada pelo novo Coronavírus. Claro que os números preocupam, mas é importante ressaltar, entretanto, que podem sofrer modificações retroativas em função das complementações e revisões efetuadas pelas operadoras”, pondera.

Apesar de o setor estar fortemente relacionado com o mercado de emprego, no período analisado, a perda de beneficiários foi impulsionada pela queda dos planos individuais. Em maio desse ano, a modalidade de contratação tinha 8,95 milhões de clientes. No mesmo mês em 2019 foi registrado 9,04 milhões, ou seja, 53 mil vidas a menos. Entre os coletivos empresariais, o número de beneficiários caiu para 31,6 milhões, o que representa 61 mil vínculos a menos na comparação anual. A única modalidade com crescimento foi de coletivos por adesão. Os 38 mil novos vínculos representam alta de 0,6% na variação de 12 meses.

O boletim do IESS mostra, ainda, que o mês de maio foi marcado pelo menor número de adesões aos planos médico-hospitalares dos últimos doze meses. “Se no início da pandemia vimos subir levemente a contratação de planos, agora o brasileiro deixou de contratar, seja em função das milhares de vagas de trabalho congeladas, pelo risco do desemprego ou perda de poder aquisitivo”, analisa Cechin. Em maio, o total de novas adesões ficou abaixo de 700 mil, muito inferior à média de 1,2 milhão dos meses anteriores.

Odontológicos

Mesmo sendo um contraponto aos planos médico-hospitalares com forte ritmo de crescimento no total de beneficiários nos últimos anos, o setor de exclusivamente odontológicos também sente os impactos do cenário atual. Essa é a segunda queda consecutiva na variação trimestral, de 2,2%. O que significa que esse tipo de plano perdeu mais de 560 mil vínculos entre fevereiro e maio desse ano.

A maior queda também foi registrada entre aqueles da modalidade individual ou familiar. No período de 12 meses, essa categoria registrou diminuição de 6,3%, o que equivale a 270 mil beneficiários.

Vale lembrar, contudo, que na variação anual, o setor continua com mais beneficiários agora do que há doze meses. A alta de 4% equivale a cerca de 980 mil novos contratos desse tipo.

Varejo projeta retração de 10% em 2020, segundo IBEVAR

Até fevereiro, as projeções eram positivas para o mercado de consumo em 2020. Segundo os índices do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), o crescimento seria na ordem de 3% a 3,5% em relação a 2019, que registrou um avanço de 4,3% em dados reais comparado com 2018.

Mas, com a crise do coronavírus (COVID-19), a projeção para o ano é uma queda de 10% no varejo, em relação ao ano anterior. Para o economista e presidente do IBEVAR, Claudio Felisoni de Angelo, o que era para ser um ano de recuperação do varejo, mesmo que de forma tímida e gradual, deu lugar a uma retração significativa nas vendas, principalmente de produtos não-essenciais. “O brasileiro se encontra em um momento de incerteza e é normal que opte por restringir o orçamento mensal apenas a itens essenciais, como alimentos e medicamentos. Estes dois setores são os únicos que apresentam avanço nestes últimos meses”, observa o especialista.

Segundo Felisoni, no início do ano, o aumento de categorias como móveis, eletrodomésticos e automóveis seria o principal indício de uma retomada do consumo. “Até fevereiro, as projeções indicavam uma recuperação considerável do varejo e um interesse maior na compra de bens duráveis por parte dos brasileiros. Mas a crise sanitária e econômica que enfrentamos agora mudou o rumo desta retomada e não podemos esperar uma superação em menos de um ano, com bastante otimismo”, avalia o economista do IBEVAR.

Nem mesmo as datas sazonais foram o suficiente para mudar este cenário. No Dia das Mães, por exemplo, o consumo costuma registrar, dependendo das categorias, um aumento de 40% da média anual. Somado aos demais períodos de maio, o índice foi de -22,11% nas vendas, em relação ao mesmo mês de 2019.

Em meio a essa queda brusca no desempenho do varejo, o comércio eletrônico deu um fôlego nas vendas e ajudou muitos brasileiros em quarentena. Um levantamento realizado pela Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado voltada a e-commerce, e pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) compara as vendas on-line do período de fevereiro e março deste ano, em relação ao ano anterior. A análise revela que as categorias de destaque são supermercado com 80%, saúde com avanço de 111% e beleza e perfumaria com aumento de 83%.

“Foi uma solução encontrada pelos consumidores para realizar suas compras, até mesmo de itens essenciais, mas, mesmo com números significativos, o comércio eletrônico não deve reverter a retração de 10% no varejo ampliado este ano”, finaliza Felisoni.

Vendas de cimento surpreendem no primeiro semestre

Depois de 2019 registrar crescimento de 3,3% nas vendas de cimento, interrompendo uma série de quatro anos de crise, a indústria começou o ano com expectativa de aumento de 3%. No entanto, as fortes chuvas de janeiro e fevereiro frustraram o consumo, que ficou represado para março, concentrado principalmente na primeira metade do mês. Na segunda quinzena, o setor se deparou com uma queda de demanda causada pelo isolamento social e restrições de circulação. Em abril, primeiro mês cheio em plena pandemia, a indústria observou uma queda, mais amena que o previsto. A partir de maio veio a surpresa e o crescimento do setor que se estendeu a junho.

Ao final do primeiro semestre de 2020 é possível afirmar que dois fatores puxaram para cima as vendas de cimento no período: a autoconstrução (residencial e comercial) e a retomada das obras dos empreendimentos imobiliários.

Hoje, esses vetores respondem por aproximadamente 90% do consumo no país e alavancaram as vendas do insumo no mercado interno, atingindo 26,9 milhões de toneladas, um crescimento de 3,6% em relação ao primeiro semestre de 2019. Na fotografia de junho os números também foram positivos, com 5,2 milhões de toneladas, um aumento de 24,2% sobre o mesmo mês do ano passado.

Ao se analisar a venda de cimento por dia útil em junho, de 228 mil toneladas, a curva também é crescente, com aumento de 7,7% sobre maio deste ano e de 16,1% em relação ao mesmo mês de 2019.

As reformas seguem em ritmo chinês há mais de dois meses, conforme demonstram indicadores de vendas de lojas de materiais de construção¹.

Esse fenômeno tem causa: o aumento do tempo de permanência das pessoas nos lares reforçou a necessidade de pequenas melhorias nas casas, que deixaram de ser apenas um lar para se transformar num local de trabalho e lazer, e as reformas e manutenções em estabelecimentos comerciais foram executadas, aproveitando a paralisação forçada.

O outro vetor são as obras de empreendimentos imobiliários retomadas pelas construtoras, como corroboram pesquisas do setor². Há registros, inclusive, do aumento de trabalhadores nos canteiros de obras.

“A COVID-19 provocou uma série de mudanças nas nossas vidas, nos nossos hábitos e nas nossas prioridades. Para a indústria do cimento, a crise mostrou que o cuidado com a casa e o uso de reservas pessoais e investimentos para pequenas reformas, tão populares na década de 80, voltaram a fazer parte do orçamento familiar. O cumprimento dos rígidos protocolos de segurança, garantiu a manutenção das atividades da indústria e demonstrou que a coexistência entre a produção e venda de cimento e o combate ao coronavírus é perfeitamente possível, como no caso das obras imobiliárias, que vem retomando o ritmo pré-crise.” diz Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC

Ainda na análise dos impactos da construção imobiliária no setor, está também um provável ponto de inflexão que preocupa, quando se observa uma queda no número de lançamentos em 2020³, mostrando que o segundo semestre, especificamente o último trimestre, deverá impor um cenário negativo às indústria do cimento e da construção civil.

Outro estudo que chama a atenção é a Sondagem da Construção4 realizada pela FGV, que apesar de apontar em junho o segundo mês consecutivo de melhora, também mostra que a recuperação foi de 43% das perdas do setor em março e abril e que há uma notável queda de lançamentos de empreendimentos.

E estas incertezas se somam à um outro problema, a inflação de custos.

“Durante todo o período de crise, de 2015 a 2018, no ano passado e no primeiro semestre deste ano, a indústria vem sofrendo forte pressão de custos de produção no frete, sacaria, combustíveis (coque de petróleo) e energia elétrica, principalmente. Esse movimento de alta, compromete as margens da indústria, gerando um enorme desafio ao setor”, afirma Paulo Camillo Penna.

Para o executivo, ainda existem muitos entraves a serem superados, e medidas como a incorporação dos custos de ITBI e documentação no financiamento imobiliário, anunciadas recentemente pela Caixa Econômica Federal, se somam a um conjunto de ações que contribuem para a sustentabilidade do setor, tais como novas modalidades de financiamento e redução de taxa de juros, entre outras.

“A indústria do cimento é responsável por mais de 70 mil empregos, gera uma renda de R﹩ 26,4 bilhões ao ano e uma arrecadação líquida anual de R﹩3 bilhões em tributos. Somos muito sensíveis ao cenário macroeconômico e aos estímulos governamentais. Por isso, a indústria do cimento, aguarda com ansiedade, o lançamento do novo projeto habitacional do governo, “Casa Verde Amarela” que deverá alavancar com mais força o mercado imobiliário e de reformas, e reiniciando obras de 100 mil unidades habitacionais paralisadas nos próximos dois anos”, completa Camillo Penna.

1 – http://www.cielo.com.br/boletim-cielo-varejo/
2 – http://www.abrainc.org.br/covid-19/2020/07/03/pesquisa-semanal-abrainc-canteiros-de-obras-mostra-como-empresas-estao-atuando-durante-a-crise-de-covid-19/
3 – http://www.cbicdados.com.br/media/anexos/Indicadores1T2020.pdf
4 – http://portalibre.fgv.br/sites/default/files/2020-06/sondagem-da-construcao-fgv_press-release_junho20.pdf

Investimentos em gás natural podem chegar a R$ 45 bilhões no Rio

Rio de Janeiro – A Firjan lançou na segunda-feira (6/7) o estudo “Rio a todo gás”, documento com propostas para destravar investimentos em gás natural, que podem alcançar até R$ 45 bilhões no estado fluminense. O Rio é o maior produtor do energético e o gás natural assume fundamental importância como combustível estratégico na retomada econômica do país e do estado, principalmente no pós-pandemia. O lançamento do estudo ocorreu em reunião on-line com a presença do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, além de deputados estaduais e federais, autoridades do governo estadual e representantes de órgãos federais.

O principal foco do estudo foi apresentar sugestões e soluções para projetos que utilizem o gás natural além da geração de energia elétrica, onde atualmente estão concentradas as principais ações para a expansão do uso do gás. Conforme o documento da federação, há uma diversidade de investimentos que pode ter o gás natural como insumo propulsor de desenvolvimento: siderurgia, petroquímica, usinas de fertilizantes, expansão do GNV em veículos leves e pesados, além das indústrias de vidro, cerâmica e sal.

“Há 30 anos já se falava da necessidade de um marco legal para o gás. Com o ‘Rio a todo Gás’, sugerimos a adoção de algumas medidas urgentes no curtíssimo e no curto prazo. Nossa intenção é contribuir para sairmos de um ambiente de recessão e usar o gás para retomar e expandir a economia a partir do fortalecimento da indústria de energia, petroquímica e o GNV”, afirmou o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

Tarifa alta

O vice-presidente da federação, Luiz Césio Caetano, e o coordenador do Núcleo de GNV da Firjan, Celso Mattos, apresentaram para as autoridades os principais pontos do documento. Caetano destacou a necessidade de diversificar a participação de novos players no mercado de gás e alertou para o alto custo do insumo no país, onde a tarifa final para o consumidor industrial é 7,4 vezes maior do que o preço na boca do poço. Ele lembrou também que 41% do produto reinjetado no poço equivale a 100% do consumo industrial fluminense.

O ministro Bento Albuquerque afirmou que o trabalho para a abertura do mercado de gás vem de longa data, e que é prioridade do governo federal a aprovação do PL 6407/2013, estabelecendo o marco regulatório do gás natural. “A abertura propicia novos investimentos em regiões como Norte e Nordeste, além do Rio de Janeiro que é a capital do petróleo e gás”, enfatizou.

O deputado estadual Luiz Paulo (PSDB) ressaltou a importância de utilizar o gás natural como forma de recuperar a economia fluminense, já que o produto é fonte de recursos com o pagamento de royalties e participações especiais. Já o secretário de Fazenda do estado do Rio, Guilherme Mercês, destacou que o governo apoia a aprovação do marco legal do gás e trabalha na regulamentação do Repetro, considerado dois pilares necessários para alavancar o estado pós-pandemia.

Além de dezenas de empresários e membros do Conselho Empresarial de Petróleo e Gás da federação, participaram da reunião virtual o diretor na ANP, Dirceu Amorelli, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Barral, os deputados federais Christino Áureo e Laércio Oliveira, entre outras autoridades.

Para baixar o estudo Rio a todo Gás acesse o link https://www.firjan.com.br/publicacoes/publicacoes-de-economia/rio-a-todo-gas-1.htm#pubAlign

CCEE apura queda de 4,7% no consumo de energia elétrica em junho

São Paulo – O consumo de energia no Brasil apresentou retração média de 4,7% entre os dias primeiro e 26 de junho, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados, apresentados em estudo da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, reforçam a tendência de retomada gradativa da demanda, com a flexibilização das medidas de isolamento social em algumas das principais cidades do país.

Nesse recorte, o mercado regulado teve queda de 4,6%, enquanto o mercado livre recuou 5%. A redução é um pouco menor no ambiente regulado por causa do aumento do consumo da classe residencial.

Para efeitos de comparação, em maio, houve redução de 10,9% no Sistema Interligado Nacional – SIN, sendo uma queda de 11,4% no Ambiente de Contratação Regulado – ACR e de 9,7% no Ambiente de Contratação Livre – ACL. Em abril, mês em que houve a maior queda, devido às medidas de combate ao novo coronavírus, a retração chegou a 12,1% no total, com diminuição de 11,5% no mercado regulado e de 13,6% no livre.

Os dados são preliminares e levam em conta o consumo total do mercado cativo, em que o consumidor compra energia diretamente das distribuidoras, e do livre, que permite a escolha do fornecedor e a negociação de condições contratuais. Além disso, o estudo não considera os dados de Roraima, único estado não interligado ao sistema elétrico nacional.

A CCEE analisou ainda o desempenho do consumo de energia elétrica dos estados no período, comparando a média de todo o período de isolamento (21 de março a 26 de junho), na comparação com os mesmos dias de 2019. O levantamento indica que o Rio de Janeiro foi o estado que apresentou maior queda, de 15%, seguido pelo Espírito Santo, com -13%.

Três estados tiveram alta: Amapá (3%) e Maranhão (1%) – por causa da baixa redução no mercado regulado (distribuidoras) e da retomada de alguns setores da economia nestes estados – e o Pará, com 5%, ainda refletindo a retomada da produção de uma indústria de alumínio que teve atividades paralisadas no ano passado.

Ao se analisar o desempenho por região geográfica, Rio de Janeiro lidera a queda (-15%) no Sudeste, em termos percentuais. No Sul do país, o Rio Grande do Sul é o que apresentou a maior queda (-11%), enquanto, no Centro-Oeste, a redução mais expressiva ocorreu no Mato Grosso do Sul (-6%). O Nordeste tem a Bahia como o estado com maior índice de redução (-12%). Na região Norte, a maior queda se deu no Acre, com -8%.