E-commerce brasileiro cresceu 40% em um ano de pandemia, revela Conversion

Com o isolamento social, o comportamento dos consumidores online foi significativamente alterado. Relatório E-commerce no Brasil, da agência da Conversion, mostra que o comércio eletrônico registrou no último mês 1,66 bilhão de acessos, resultando em um aumento de 40% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Ao todo, 15 setores foram analisados e 10 tiveram aumento de mais de 30% no Year over Year (YoY), com destaque para o setor de Importados (+91,72%). Sozinha, a Shopee, e-commerce asiático de importados, teve, em março de 2021, a maior taxa de crescimento dentre os maiores players da categoria, atingindo +1954%, em comparação a 2020.

Na sequência, os setores que mais cresceram ao longo dos últimos doze meses foram: Pets: (+88,04%), Casa & Móveis (+86,62%), Farmácia & Saúde (+65,22%), Moda & Acessórios (+63,18%) e Comidas & Bebidas (+57,25%). Já no comparativo mensal, todos os setores apresentaram aumento, exceto o de Turismo, que teve uma queda de -18% em relação a fevereiro e -8,79% considerando o ano anterior.

O relatório também comparou fevereiro de 2020, período pré-pandemia, com março de 2021, e constatou que o setor de Farmácia & Saúde liderou o ranking de categorias com maior crescimento durante este período, com 120,67%, seguido de Pets (+102,25%) e Comidas & Bebidas (+95,55%).

“Com o isolamento social e o fechamento temporário de lojas físicas, os consumidores têm no e-commerce uma alternativa para manter as compras de itens essenciais e do dia a dia sem precisar sair de casa. Além disso, foi uma grande oportunidade aos lojistas, que viram os acessos dos seus sites aumentarem consideravelmente”, ressalta Diego Ivo, fundador da Conversion.

Investimentos em Private Equity e Venture Capital somam R$ 10,7 bi no 1º tri

São Paulo – Os investimentos na indústria de Private Equity e Venture Capital começaram o ano com novo recorde, a despeito da continuidade da pandemia e das incertezas econômicas. No primeiro trimestre, os investimentos somaram R$ 10,7 bilhões, segundo pesquisa feita em conjunto pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) e a KPMG. Trata-se do maior volume para um período de três meses desde quando começou a série histórica, em 2020, e representa um crescimento de 87% sobre o mesmo período do ano passado.

Os investimentos em Venture Capital (VC) superaram o volume registrado em empresas por fundos de Private Equity (PE) em mais de quatro vezes. A indústria de VC totalizou R$ 8,8 bilhões em transações, ante R$ 1,9 bilhões do segmento de PE. Movimento semelhante foi registrado em 2020, quando os investimentos anuais em VC ultrapassaram o volume aportado em PE pela primeira vez na história.

“A disrupção tecnológica e a multiplicação de empreendedores brasileiros de nível mundial criam as condições para que a indústria de VC viva um excelente momento no país”, diz Piero Minardi, presidente da ABVCAP. “O crescimento de empresas como as fintechs tem pouca correlação com a o PIB, enquanto o PE oscila mais em função do ambiente econômico, que tem sido bastante desafiador. Apesar do momento difícil da economia, a indústria de PE continua desempenhando papel notável na construção do mercado de capitais brasileiro e tem capital disponível para acelerar nossa retomada econômica.”

No total, 70 empresas receberam investimentos e divulgaram os valores das transações entre janeiro e março, crescimento de 19% na comparação com o mesmo período do ano passado. Deste montante, 63 empresas receberam investimentos de VC, e 7, de PE. O número absoluto de empresas é maior se forem consideradas as empresas que ainda não divulgaram os valores transacionados.

“Neste primeiro trimestre, os ticket médios dos investimento na modalidade venture capital continuaram subindo consolidando a tendência observada nos trimestres anteriores”, diz Roberto Haddad, sócio-líder de Private Equity e Venture Capital da KPMG no Brasil. “É impressionante o apetite dos investidores estrangeiros pelas startups e empreendedores brasileiros, mesmo no atual ambiente desafiador. Além disso, temos acompanhado um volume expressivo de saídas, o que consolida ainda mais o ecossistema brasileiro de PE&VC.”

O investimento médio por empresas foi de R$ 140 milhões no segmento de VC e de R$ 277 milhões em PE. Na comparação com o 1º trimestre de 2020, o ticket médio por empresa investida na modalidade de VC subiu 140%. Já o total de desinvestimentos somou R$ 7,8 bilhões.

No ranking setorial, as empresas mais investidas são de serviços financeiros (24%) e tecnologia da informação (13%). Já na lista de segmentos de VC, as fintechs e insurtechs (startups da área de seguros) seguem no topo da preferência dos investidores, com 18% da quantidade de empresas investidas de janeiro a março. Na sequência, aparecem as adtechs e martechs (de publicidade e marketing) e healtechs (de saúde), ambas com 11%.

Maioria dos executivos está comprometida com ações contra mudanças climáticas

São Paulo – Empresas de todo o mundo estão cada vez mais comprometidas em lidar com as mudanças climáticas, mas suas ações de sustentabilidade podem variar de acordo com cada companhia. Essa é a principal análise do novo estudo da Deloitte Global, maior organização de serviços profissionais do mundo, com a participação de executivos brasileiros, revelando que mais de 80% dos CXOs (executivos do alto escalão, o chamado C-Level) estão preocupados com as mudanças climáticas e reconhecem a necessidade de que precisam ir além dos compromissos já estabelecidos para ações mais práticas. E embora a pandemia da Covid-19 tenha paralisado os esforços de sustentabilidade para dois terços das empresas, o tema continua sendo prioridade para os líderes que planejam expandir os esforços nos próximos anos pós-pandemia.

A Deloitte entrevistou 750 líderes empresariais em 13 países, entre eles 50 brasileiros, entre janeiro e fevereiro de 2021 para entender melhor suas perspectivas à medida que a conversa sobre o clima evolui e o mercado muda. A pesquisa constatou que a sustentabilidade não é mais um pedido, mas uma expectativa para os stakeholders. É também um imperativo empresarial que tem se mostrado benéfico na retenção de talentos e na melhoria do desempenho financeiro.

“A mudança climática não é mais algo distante; mas sim uma realidade. No Brasil a situação não é diferente, a preocupação com a situação climática é crítica, mas percebemos que os executivos ainda não sabem como se posicionar em termos práticos e isso envolve colocar esse tipo de temática na agenda central das empresas. Essa preocupação se insere no ESG (Environmental, Social and Governance), que é uma discussão maior que exige das organizações uma postura clara e ações efetivas voltadas ao desenvolvimento ambiental, às contribuições sociais e à governança”, destaca Anselmo Bonservizzi, Líder da Deloitte para Riscos Empresariais e ESG.

Mais de 30% dos executivos afirmam que suas organizações estão começando a sentir os impactos operacionais dos desastres relacionados ao clima e mais de um quarto delas está enfrentando a escassez de recursos devido às mudanças climáticas. As organizações estão se concentrando em políticas públicas, uso sustentável de materiais e trabalhando com fornecedores para atender aos padrões climáticos. No entanto, quase dois terços das organizações precisarão pausar ou reduzir esses esforços no próximo ano devido à pandemia.

Aproximadamente metade dos entrevistados indicou ter visto iniciativas de sustentabilidade ambiental melhorar a satisfação do cliente e as métricas financeiras. Quase metade dos executivos também percebe um impacto mensurável no meio ambiente, como a redução das emissões de carbono. Organizações líderes estão ampliando suas ações, incluindo o incentivo ao teletrabalho (38%) e a compra direta de energia renovável (36%). Por outro lado, o relatório aponta que as organizações poderiam estar fazendo mais para definir metas mensuráveis de redução de carbono e introduzir mais responsabilidade executiva – apenas 40% das organizações se comprometeram com metas de redução de carbono baseadas na ciência. E menos da metade das organizações criaram um cargo de sustentabilidade sênior e menos de 20% estão vinculando a remuneração dos líderes seniores a metas de sustentabilidade ambiental.

Investimento em IaaS na América Latina vai atingir US$ 8,5 bi em 2024, diz IDC

Segundo dados revelados pela IDC Brasil, o investimento em infraestrutura em nuvem pública (IaaS) na América Latina vai chegar a US$ 8,5 bilhões em 2024. Isso equivale a um crescimento médio anual de 38% entre 2019 e 2024. Só em 2020, o investimento nesta tecnologia cresceu 35%, atingindo US$ 2,29 bilhões.

Ainda em 2020, o setor de infraestrutura foi liderado por serviços de data center, que apesar de crescer apenas 3,1%, apresentou gastos de US$ 3,78 bilhões no ano. A perspectiva da IDC é que este segmento cresça 5,9%, em média, entre 2019 e 2024, chegando ao fim do período com US$ 4,89 bilhões em gastos.

Luciano Ramos, gerente de Pesquisa e Consultoria de Enterprise da IDC Brasil, que participou de evento online promovido hoje pela VMware, explica que a tendência é que o modelo de nuvem híbrida cresça enquanto o data center tradicional perca espaço. O investimento em data center tradicional caiu 6,1% em 2020, com pouco mais de US$ 1,6 bilhão em gastos, sendo que a perspectiva para 2024 é de US$ 1,9 bilhão.

Ramos ainda apontou que a nuvem privada vai ganhar um pouco mais de espaço, crescendo em média de 9,1% entre 2019 e 2024 e chegando a US$ 3,37 bilhões ao fim do período. Em 2020, este segmento experimentou crescimento de 2% e gerou US$ 2,23 bilhões em gastos.

Brasil registra consumo de energia elétrica 5,5% maior em março

Um levantamento feito pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE mostra que houve um impacto limitado no consumo de energia elétrica da adoção de medidas restritivas para conter o avanço da COVID-19 no país. Em março, fase mais crítica da pandemia em 2021, o volume consumido no Sistema Interligado Nacional – SIN foi de 66.650 megawatts médios (MWm), volume 5,5% maior que o mesmo período do ano passado.

“Esse incremento, tanto em março quanto na análise dos números referentes ao primeiro trimestre do ano, indica uma curva de aprendizagem em relação à pandemia e mostra que vários setores da economia conseguiram manter sua operação ainda que diante de regras mais rígidas que aquelas adotadas no ano passado”, avalia Rui Altieri, presidente do Conselho de Administração da CCEE.

Em março, 19 estados e o Distrito Federal registraram alta. Rio de Janeiro (+14,1%), Santa Catarina (+10,5%), Pará (+9,0%), São Paulo (+7,9%) e Bahia (+7,3%) foram as cinco regiões com maiores índices. Entre os que registraram baixa no consumo estão Rio Grande do Sul (-10,9%), Amazonas (-9,5%), Rondônia (-8,0%), Acre (-5,9%) e Paraíba (-0,6%).

Ao verificar os ramos de atividade, todos os segmentos que atuam no mercado livre, onde estão as indústrias e as empresas de pequeno e médio porte, apresentaram crescimento no consumo de energia na comparação com 2020. O setor de Saneamento registrou a maior alta (+34,7%), seguido pelo Comércio (+26,7%), Têxtil (+24,5%), Veículos (+22,1%) e Manufatura (22,0%).

Na avaliação do primeiro trimestre, o volume consumido aumentou 3,7% em relação ao mesmo período de 2020. Segundo a CCEE, a alta foi puxada pelo maior consumo no Ambiente de Contratação Livre – ACL, que cresceu 11,5%. No Ambiente de Contratação Regulada – ACR, onde estão pequenas e médias empresas e a grande maioria dos consumidores residenciais, o primeiro trimestre encerrou com consumo 0,3% acima do ano passado.

Internacional

A CCEE também analisou dados dos Estados Unidos e das principais economias da Europa, considerando que as medidas de isolamento social nestas regiões também reduziram de maneira expressiva o consumo de energia elétrica no ano passado. A alta registrada em março no Brasil na comparação com 2020 (+5,5%) coloca o país à frente da Espanha (+5,1%), Estados Unidos (+0,6%) e Reino Unido (-0,3%) e atrás somente da Itália (+12,2%) e França (+6,2%).

Saiba quais são as tendências na relação dos funcionários e seus benefícios

Utilizar moedas virtuais, ter auxílio-internet ou até mesmo um plano de saúde “repaginado”. Estas têm sido as principais tendências e mudanças verificadas na relação dos funcionários e seus benefícios durante a pandemia. Essas mudanças fazem parte de um estudo sobre benefícios realizado em conjunto pelo PageGroup, consultoria líder mundial em recrutamento executivo especializado, e pela It’sSeg, uma das maiores corretoras de seguros do país especializada em gestão de benefícios. De acordo com a análise dos especialistas, funcionários de empresas de diferentes setores estão percebendo que, num momento de isolamento social e de mudanças drásticas de comportamento, o ideal é compor uma cesta de benefícios mais adequada ao seu momento profissional e pessoal.

“Enquanto a pandemia interrompia rotinas e mudava hábitos antigos, era preciso fazer a gestão de equipes e não perder produtividade. Antes do coronavírus, muitos contavam com processos manuais e pouca solução virtual na gestão de benefícios que, imediatamente, deixaram de ter a mesma eficiência com o início do home office. Mais do que nunca, gerir bem o que já existia em benefícios dentro das organizações era fundamental, mas buscar alternativas para as novas circunstâncias de trabalho, gerando real valor na vida dos colaboradores, tornou-se tão importante quanto. Hoje os colaboradores querem ter mais liberdade de escolha na seleção de seus benefícios, que sejam mais flexíveis. As empresas precisam estar atentas a essa nova onda”, explica Thomaz Menezes, presidente da It’sSeg.

Para Gil van Delft, presidente do PageGroup no Brasil, essa virada de chave na oferta do pacote de benefícios indica uma importante forma de atrair e reter talentos. “As companhias estão em permanente busca de soluções de atração e retenção de seus talentos. Uma delas, e que vem ganhando força na pandemia, é como o funcionário pode ter a liberdade de administrar seu pacote, seja por meio de moedas virtuais para selecionar quais benefícios são mais adequados ou até mesmo selecionar aqueles mais vantajosos. Essa mudança de comportamento do colaborador vai ajudar as empresas a pensarem em novos pacotes de ofertas daqui para frente”, conta.

Confira abaixo as principais tendências em benefícios:

1) Surgimento dos novos benefícios

Auxílio a despesas diárias, como conta de luz, internet e telefone, foi um dos benefícios que surgiu em função da pandemia, provocado especialmente pela atuação dos funcionários no modelo remoto. Ajuda com mobiliário também é outro exemplo de benefício surgido durante o isolamento social.

2) Atenção especial ao plano de saúde

O plano de saúde sempre foi relevante para os colaboradores, mas passou a ter uma percepção mais relevante na pandemia. Com as restrições de mobilidade, o número de atendimentos presenciais em consultas, exames e terapia caiu, mas foram rapidamente substituídos por modelos à distância, com a utilização da telemedicina e telepsicologia. Os funcionários deram atenção especial a esse tipo de benefício na pandemia, buscando cada vez mais por um plano que atendesse suas necessidades nesse período de crise sanitária.

3) Flexibilidade de benefícios

Uma das principais tendências em benefícios é o funcionário ter a liberdade de escolher quais serão os benefícios mais aderentes a sua necessidade. Muitas empresas têm oferecido uma espécie de moeda virtual. Com ela, o colaborador recebe um pacote de créditos e pode decidir quanto vai investir em cada benefício. É ele quem decide o formato e cobertura de seu seguro-saúde, quanto quer investir em outras modalidades, como cursos, alimentação, compras em e-commerce e até pagamento de boletos.

Vendas nos supermercados acumulam alta de 7,57% no primeiro bimestre

O Índice Nacional de Consumo ABRAS nos Lares Brasileiros (INC) apresentou crescimento real de 7,57%, de janeiro a fevereiro, na comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o Departamento de Economia e Pesquisa da entidade nacional de supermercados. Em relação ao mês de janeiro de 2021 o índice registrou queda de -6,75%. Na comparação com fevereiro de 2020 a alta foi de 5,18%.

O vice-presidente Institucional e Administrativo da ABRAS, Marcio Milan, atribui o resultado do ano à pandemia da covid-19. “Nos meses de janeiro e fevereiro de 2020, o Brasil ainda não tinha sido impactado pela pandemia, que começou em março. Em 2021, com a continuidade das restrições e das medidas de isolamento social para combater a covid-19, com aulas escolares virtuais, trabalho remoto, e bares e restaurantes fechados, o consumo dentro do lar foi favorecido”, declara Milan.

De acordo com o vice-presidente, o resultado negativo na comparação com janeiro é devido ao calendário reduzido do segundo mês do ano. “Fevereiro conta com 28 dias e janeiro com 31, portanto três dias a menos no consumo”, destaca Milan.

Abrasmercado

O indicador Abrasmercado, cesta dos 35 produtos de largo consumo nos supermercados, apurado em parceria com a GfK, registrou queda de -0,47% em fevereiro, na comparação com janeiro, passando de R$ 636,40 para R$ 633,80. No acumulado dos 12 meses o valor da cesta subiu 24,46%. As maiores quedas nos preços da cesta de fevereiro foram registradas nos produtos: tomate, -15%; batata, -14,75%; frango congelado, -3,48%; óleo de soja, -3,31%, e arroz, -3,31%. As maiores altas foram nos itens: cebola, 17,45%; farinha de mandioca, 3,33%; açúcar, 2,79%; ovo, 2,65%; leite em pó integral, 2,63%.

Regiões

As regiões Nordeste e Sul foram as únicas que registraram alta no valor da cesta Abrasmercado, 0,49% e 0,07%, respectivamente. A cesta do Nordeste passou de R$ 550,95 para R$ 553,64, e a do Sul de R$ 691,85 para R$ 692,31.

Empresas familiares enfrentam desafios tributários cada vez mais complexos, diz KPMG

As empresas familiares ajudam a impulsionar a economia global e são responsáveis pela maior parte do Produto Interno Bruto (PIB) e dos empregos gerados. No entanto, para as famílias que desejam repassar seus negócios para a próxima geração, há uma infinidade de desafios, principalmente tributários, cada vez mais complexos. Essas são algumas conclusões da pesquisa “Monitor tributário global de empresas familiares 2020” (Global family business tax monitor 2020, em inglês), conduzida pela KPMG.

“Este conteúdo fornece uma perspectiva detalhada sobre o ambiente tributário para empresas familiares de todo o mundo e apresenta exemplos dos impactos tributários em cada país. Também traz algumas orientações quanto a como se preparar melhor na transição das operações para a próxima geração. Ele também destaca como a pandemia vai aumentar a pressão sobre essas empresas nos próximos anos”, afirma Jubran Coelho, sócio-líder da área de Private Enterprise da KPMG no Brasil e na América do Sul.

De acordo com a pesquisa, no Brasil há poucos casos de isenções e imunidades e usualmente só se aplicam a patrimônios de valor muito baixo. As transferências vitalícias e em caso de morte são tributadas sob lei estadual, em vez de lei federal. O imposto sucessório ou imposto sobre doações são cobrados no momento da transferência em vida ou na morte. Como se trata de um imposto Estadual, as alíquotas são diferentes de Estado a Estado, podendo chegar a uma alíquota máxima de 8% (no Estado de São Paulo, por exemplo, a alíquota máxima atual é de 4% e no Rio de Janeiro pode chegar a 8%). A alíquota máxima de 8% é definida por meio de uma resolução do Senado e há um projeto para ampliar a possibilidade da alíquota máxima para além dos 8%, em teoria, caso essa mudança venha a ser aprovada, isso permitiria aos Estados ampliarem suas alíquotas para além do atual teto de 8%.

Dos 54 países e territórios pesquisados, 14 têm um imposto sobre herança específico aplicável (os Estados Unidos aplicam um imposto sobre o patrimônio para heranças de empresas familiares), enquanto 16 têm um imposto sobre doações aplicável a transferências vitalícias das empresas.

Dos 10 países com os maiores PIBs na pesquisa, seis (Brasil, Canadá, França, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido) têm impostos que se aplicam a heranças e transferências vitalícias, enquanto quatro (China, Índia, Itália e Rússia) não têm nenhum imposto sobre doações ou herança na transmissão de uma empresa familiar. Outros casos, como o imposto sobre ganhos de capital, e o imposto de renda da pessoa física, também são aplicáveis em algumas jurisdições.

Os Estados Unidos têm uma das alíquotas de impostos mais altas do mundo para a transferência de uma empresa familiar por doação ou herança, antes das isenções. No entanto, as famílias americanas se beneficiam potencialmente de uma isenção de US$ 10 milhões, indexada pela inflação, atualmente programada para expirar após 2025.

França, Irlanda, Holanda, Espanha e Reino Unido têm as alíquotas de impostos mais altas dentre os países pesquisados na Europa para a transferência de uma empresa familiar antes das isenções. No entanto, os impostos são reduzidos substancialmente pelas isenções.

Na região da Ásia-Pacífico, a Coreia do Sul se destaca por ter uma das maiores cargas tributárias do mundo para a transferência de uma empresa familiar. A China atualmente não impõe nenhum imposto sobre doações ou heranças.

“A complexidade tributária para as empresas familiares depende de onde estão localizadas e pode ser enorme. Em muitos casos, uma família que deseja passar sua empresa para a próxima geração é elegível para pleitear isenções ou deduções. Mas, a pesquisa também revela que os requisitos podem ser onerosos, exigem um planejamento completo e provavelmente serão restritos ou modificados em muitos casos”, afirma Marcus Vinicius Gonçalves, sócio-líder da área de Tributos da KPMG no Brasil e na América do Sul.

Embora existam isenções fiscais na maioria das jurisdições que podem diminuir a carga sobre as famílias que transferem suas empresas, muitas estão sob escrutínio crescente e as famílias precisam estar preparadas para eventuais mudanças legislativas restringindo ou excluindo essas isenções (como já mencionado, nos Estados Unidos há atualmente de uma exclusão de impostos sobre doações e propriedades até determinado valor mas esta exclusão só é válida até 2026, já no Reino Unido há isenção do imposto sobre o patrimônio empresarial ao transferir uma empresa mas há propostas que podem modificar ou eliminar esta isenção).

“O ciclo de planejamento para as empresas familiares se acelerou com a pandemia. Elas estão com um senso de urgência e proteção maior e as decisões sobre como, ou se, transferir a empresa, que podiam levar anos no passado, precisam agora, em muitos casos, ser tomadas em meses”, afirma Carolina Oliveira, sócia-diretora da área de Private Enterprise da KPMG no Brasil.

A pesquisa “Global family business tax monitor”, da KPMG, foi elaborada com base nas conclusões de 54 países, regiões e jurisdições, e fornece detalhes sobre como seus regulamentos fiscais locais se aplicariam a cada caso. O conteúdo explora os efeitos que a tributação pode ter na transferência da empresa para os membros da família por herança e transferência vitalícia.

O conteúdo está disponível na íntegra no link – http://assets.kpmg/content/dam/kpmg/xx/pdf/2020/10/global-family-business-tax-monitor.pdf

Índice ABRAMAT indica crescimento da indústria no primeiro trimestre

São Paulo – A ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) divulga nessa quarta-feira, 14, a nova edição da sua pesquisa Índice (anexa ao final do texto), elaborada pela FGV com dados do IBGE, apresentando os dados de faturamento do setor. O estudo indica que em março de 2021, o faturamento deflacionado das indústrias de materiais em comparação com o mesmo mês de 2020, foi 22,6% maior. Com esse resultado, o primeiro trimestre do ano registra alta de 15,6% na comparação com o mesmo período de 2020.

A nova edição da pesquisa também aponta os dados consolidados de fevereiro de 2021. No período, a indústria de materiais de construção teve faturamento 11,6% maior que o observado em fevereiro de 2020.

Para 2021 a previsão da ABRAMAT permanece, estimando crescimento de 4% no faturamento da indústria de materiais de construção em relação a 2020. “O resultado positivo no primeiro trimestre de 2021 mostra que a indústria de materiais de construção está sendo demandada, o que possibilita chegarmos a um crescimento de 4% ainda este ano. De qualquer maneira, é importante ressaltar que se faz necessário acelerar a vacinação em todo país, bem como progredir nas pautas de reformas no Congresso Nacional, para que se minimizem potenciais impactos negativos das externalidades. A ABRAMAT seguirá atuando proativamente junto aos seus interlocutores na busca de soluções para as adversidades trazidas pelo atual momento”, comenta Rodrigo Navarro, presidente da ABRAMAT.

Vendas do varejo avançam 0,6% em fevereiro

As vendas do comércio varejista subiram 0,6% em fevereiro de 2021 ante janeiro, na série com ajuste sazonal, informou na terça-feira (13) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Assim, após dois meses consecutivos com variações negativas somando queda de 6,3%, o volume de vendas do comércio varejista nacional voltou a crescer. O varejo se encontra agora no mesmo patamar de setembro de 2020 e 0,4% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020).

O resultado foi em linha com o esperado. A estimativa, de acordo com consenso Refinitiv, era de alta de 0,6% na comparação com janeiro e de baixa de 3,9% na comparação com fevereiro de 2020 (baixa efetiva foi de 3,8%).

Entre maio e outubro de 2020, o comércio havia mostrado forte crescimento, porém, o cenário se reverteu em dezembro.

“O rendimento médio das famílias de baixa renda chegou a aumentar 130% com o auxílio emergencial e, por isso, o período de maio e outubro foi muito bom para o comércio varejista, que chegou a atingir patamar 6,5% acima do período pré-pandemia. Em dezembro, no entanto, o valor do auxílio diminuiu e, em janeiro, deixou de existir, e isso reduziu o consumo. Temos ainda impactando o varejo negativamente a inflação e outros fatores relacionados à pandemia, como as restrições locais ao desenvolvimento de algumas atividades”, avalia o gerente da PMC, Cristiano Santos.

Por outro lado, ele ressalta que a volta às aulas gerou aquecimento nas vendas. “Janeiro é um mês de contas extraordinárias, como IPTU e IPVA, então é comum um consumo menor no comércio. Já em fevereiro, temos a volta do orçamento mensal das famílias a uma maior normalidade e o retorno dos alunos às escolas, aquecendo as compras de material escolar. Assim, mesmo com o cancelamento do carnaval, que impacta, por exemplo, em menores vendas de bebidas alcoólicas nos supermercados, tivemos uma variação positiva esse mês”, avalia Santos.

Quatro das oito atividades pesquisadas tiveram alta, sendo que a de livros, jornais, revistas e papelaria (15,4%) foi a que registrou o maior crescimento frente a janeiro. No entanto, essa atividade teve queda de 41% se comparado ao volume de vendas de fevereiro de 2020.

“Já faz algum tempo que esse setor tem tido queda, à medida que o mundo se digitaliza e o papel vai sendo cada vez mais substituído pelos meios digitais, mas, em fevereiro de 2021, a redução nas vendas foi bem mais forte que nos anos anteriores. Nesse caso, temos o fato de muitas escolas públicas ainda não terem iniciado novo ano letivo, por exemplo, e também o fato de muitas escolas não terem retomado as aulas presenciais. E, no geral, a pandemia já vem provocando a necessidade de mudança do material didático para melhor adaptação ao ensino remoto, reduzindo, portanto, a necessidade de livros físicos e outros artigos de papelaria”, comenta Santos.

As demais altas na passagem de janeiro para fevereiro de 2021 foram nas atividades de móveis e eletrodomésticos (9,3%), tecidos, vestuário e calçados (7,8%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,8%).Sendo que os dois últimos também tiveram forte queda frente a fevereiro do ano anterior (-18,6 e -4,6%, respectivamente). Já os móveis e eletrodomésticos tiveram alta de 0,7% nessa comparação.

Dezenove das 27 unidades da federação tiveram taxas positivas em fevereiro frente a janeiro. Amazonas (14,2%), Rondônia (11,5%) e Piauí (8,3%) se destacaram positivamente. Por outro lado, Acre (-12,9%), Tocantins (-4,4%) e Distrito Federal (-2,1%) tiveram as maiores quedas.

Na comparação de fevereiro de 2021 frente a fevereiro de 2020, o varejo assinalou queda de 3,8% no índice geral. Assim, no acumulado do primeiro bimestre de 2021, contra igual período do ano anterior, o varejo apresentou decréscimo de 2,1%.

Varejo ampliado

Já no comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças (8,8%) e de material de construção (2,0%), o volume de vendas teve crescimento de 4,1% na passagem de janeiro para fevereiro, após ter registrado dois meses de queda.

“Material de construção é uma atividade que tem crescido muito, tanto porque as pessoas, estando mais tempo dentro de casa, acabam vendo necessidade de fazer melhorias em suas residências, quanto pelo fato de que grandes obras também vendo sendo retomadas pelas construtoras”, ressalta Cristiano Santos.

Amazonas (20,2%), Rondônia (9,9%) e Piauí (9,5%) foram os estados que registraram as maiores altas na passagem de janeiro para fevereiro no varejo ampliado. Por outro lado, Acre (-5,3%), Tocantins (-2,1%) e Amapá (-1,6%) foram os destaques negativos nessa comparação.

Frente a fevereiro de 2020, no entanto, o comércio varejista ampliado teve recuo de 1,9%, segunda negativa consecutiva (-3,1% em janeiro), após seis meses de altas consecutivas, e fechou o primeiro bimestre de 2021 com queda de 2,5%. Sendo que, em fevereiro, o segmento de veículos, motos, partes e peças (-3,8%) teve queda frente ao mesmo mês de 2020, enquanto o de material de construção cresceu 17,9%, nessa comparação.