Investimentos em TI no Brasil posicionam o país em 9º lugar no mundo

O balanço mundial de investimentos em TI apresentou alta de 2%, em 2016, em comparação ao ano anterior, atingindo US$ 2,03 trilhões. No Brasil, os investimentos para este setor apresentaram desaceleração sofrendo impacto direto da crise econômica e da valorização do dólar no período, somando US$ 38 bilhões, um recuo de 3,6% em relação a 2015.

Para 2017, a previsão é de uma recuperação no crescimento do setor no Brasil na ordem de 6,7%, o dobro do crescimento previsto para o mundo. Os dados fazem parte do estudo anual “Mercado Brasileiro de Software e Serviços” da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), em parceria com o IDC (International Data Corporation).

Pela primeira vez em 12 anos, desde que o levantamento começou a ser feito pela ABES, o Brasil perdeu duas posições no ranking mundial e passou de 7º para 9º lugar. Desde o primeiro levantamento, em 2005, o país vinha se mantendo na sétima posição. No quadro da América Latina, entretanto, o mercado brasileiro mantém a liderança em investimentos no setor, que representam 36,5% do total de US$ 105,3 bilhões.

“A recessão teve impacto direto nos resultados e a alta do dólar puxou a conversão dos números do setor para baixo. Mesmo tendo o Brasil apresentado queda nos investimentos, ainda ocupa um lugar importante, estando no mesmo grupo de países como Alemanha, Estados Unidos e França, o que mostra a relevância do mercado interno de TI”, aponta Jorge Sukarie, presidente do Conselho da ABES.

Nos últimos quatro anos, a distribuição geográfica de investimentos no Brasil vem demonstrando sensível avanço. Apesar da região Sudeste ainda ser líder com 61% (65% em 2012), o Norte avançou de 2% para 6%, o Nordeste aumentou 3 pontos percentuais, alcançando 11% e o Sul chegou a 13%, ante 12% em 2012. O Centro-Oeste foi a única região que apresentou queda, passando de 13% para 9%.

Índice de Atratividade do Mercado Livre para Fontes Limpas de Energia sobe 8% em junho

São Paulo, 26 de junho – A FDR Energia, empresa de geração e comercialização de eletricidade, acaba de lançar a atualização de junho do Índice de Atratividade do Mercado Livre para Fontes Limpas de Energia. O levantamento revela que a competitividade das fontes sustentáveis subiu 8% em relação às tarifas praticadas pelas distribuidoras no ambiente cativo. O valor médio do índice da FDR Energia para todo o Brasil ficou em “0,535” no mês de junho de 2017.

O índice, tal qual o modelo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pela Organizações das Nações Unidas (ONU), é calculado em um intervalo de “0,000” (para a menor atratividade) e “1,000” para a maior atratividade.

Pela primeira vez também em 2017, o Rio de Janeiro deixa de liderar o ranking de atratividade entre as unidades da Federação. O Tocantins assumiu o posto como o estado onde as fontes limpas no Ambiente de Contratação Livre (ACL) são mais competitivas em relação ao mercado cativo, com a nota 0,663. “Os consumidores fluminenses têm vantagens significativas na migração para o ambiente livre”, afirma “Desde o ano passado, o Rio de Janeiro se destaca nessa competitividade”, complementa.

Segundo Erick Azevedo, sócio-diretor da FDR Energia e coordenador do estudo, o índice foi calculado com base no preço médio comercializado no mercado livre entre as fontes incentivadas 50 (energia proveniente de Pequenas Centrais Hidrelétricas e usinas eólicas, solares e de biomassa) comparadas com as tarifas de distribuidoras que representam 98% do mercado cativo brasileiro.

Em linhas gerais, pode-se considerar que valores no índice abaixo de 0,4 como inviáveis financeiramente para migração para o ACL. Entre 0,4 e 0,6, com viabilidade moderada. Entre 0,6 e 0,8, boa viabilidade. Acima de 0,8, com alta viabilidade. “É importante destacar que essa avaliação não substitui uma específica para o cada consumidor, a qual a FDR Energia realiza sem custo por meio da disponibilização da cópia de apenas um fatura de energia”, conclui Azevedo.

Exportações mundiais de café cresce 3,1% de outubro de 2016 a abril de 2017, segundo OIC

As exportações mundiais de café atingiram 69,5 milhões de sacas de 60kg no período de outubro de 2016 a abril de 2017 e cresceram 3,1% em comparação com os mesmos sete meses do período anterior. Contudo, especificamente no mês de abril deste ano, o volume do café embarcado mundialmente caiu 5,3%, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Nesse contexto, as exportações do Brasil e Vietnã, maiores produtores de café do mundo, decresceram 13,5% e 6,9%, respectivamente.

Essas análises da performance da cafeicultura em nível mundial sobre mercado, produção, consumo, exportação, importação, preços, estoques e outras análises, constam do Relatório sobre o mercado de Café – maio 2017, da Organização Internacional do Café – OIC, o qual está disponível no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

Brasil emitiu quase 8 mil carteiras de trabalho para estrangeiros neste ano

No primeiro trimestre de 2017, foram emitidas 7.989 carteiras de Trabalho e Previdência Social a estrangeiros. Desse total, 3.017 foram para haitianos, 1.107 para venezuelanos, 443 para cubanos, 346 para argentinos, 311 para bolivianos, 282 para paraguaios, 250 para colombianos, 232 para peruanos, 219 para uruguaios e 190 para senegaleses, entre outras nacionalidades.

Os dados são da Coordenação Geral de Imigração (CGIg), uma unidade administrativa do Ministério do Trabalho. Segundo o órgão, grande parte desses imigrantes entra no país utilizando o instituto do refúgio, mas nem todos se enquadram nos requisitos de refugiados pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça.

Nesses casos, o processo é encaminhado para análise do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), que, se reconhecer a situação humanitária, concede a autorização de residência no país por prazo indeterminado.

O coordenador-geral de Imigração substituto da CGIg, Luiz Alberto Matos dos Santos, avalia que, apesar de um aumento do fluxo migratório nos últimos cinco anos, o índice de imigrantes ainda é pequeno. “Não chega a representar 1% da população, enquanto a média mundial é de 4%”, informou. Segundo ele, a maioria dos imigrantes ocupa empregos pelos quais brasileiros não se interessam mais.

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, diz que a nova legislação da imigração brasileira é destacada internacionalmente como uma das mais avançadas do mundo. “O Brasil exerce um papel de vanguarda ao reconhecer o imigrante como sujeito de direitos, com princípios e garantias estabelecidos em lei”.

As autorizações de trabalho a estrangeiros no Brasil são concedidas pelo Ministério do Trabalho, por meio da CGIg. A autorização é exigida pelas autoridades consulares brasileiras, para efeito de concessão de vistos permanentes ou temporários, a estrangeiros que desejem permanecer no Brasil a trabalho.

Um em cada três internautas brasileiros instala e desinstala apps diariamente

Aproximadamente 30% dos internautas brasileiros com smartphone declaram ter instalado e desinstalado um aplicativo nas últimas 24 horas. Se considerados os últimos 30 dias, o percentual sobe para cerca de 80%. Ou seja, apps são adicionados e apagados nos smartphones de quatro em cada cinco brasileiros todo mês. É o que revela a mais nova edição da pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre uso de apps no Brasil, cujo relatório integral se encontra disponível para download no site do projeto. Foram entrevistados 1.904 internautas brasileiros que possuem smartphone. A pesquisa tem grau de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

O Brasil é um mercado emergente na indústria móvel. A base de smartphones ainda está crescendo e a maior parte do parque de aparelhos é composta por modelos Android de baixo custo. Esses terminais têm pouca memória, o que obriga seus donos a viverem um constante malabarismo de instalar e desinstalar aplicativos para rearrumar o espaço, de acordo com as suas prioridades. Consequentemente, há uma volatilidade dos aplicativos presentes no smartphone do brasileiro, até porque este ainda está na fase de experimentação da tecnologia, especialmente quem migrou recentemente de feature phone para smartphone.

É interessante notar a coincidência dos percentuais nas perguntas sobre instalação e desinstalação de apps. As proporções são praticamente as mesmas em ambas, o que dá a entender que quem desinstala um app provavelmente o faz para instalar outro em seguida (veja os percentuais exatos no relatório da pesquisa). Isso não é uma constatação óbvia, pois há outros recursos que enchem a memória dos aparelhos, como fotos e vídeos. Aliás, o recebimento de conteúdo multimídia em apps de mensagens, como o WhatsApp, é um dos maiores responsáveis pela ocupação da memória dos terminais. Na elaboração do questionário da pesquisa, havia a hipótese de que a frequência de desinstalação de apps seria maior que a de instalação, o que sugeriria que as pessoas estariam apagando aplicativos para ter mais espaço para fotos e vídeos, o que não se comprovou.

Quando analisados os resultados em detalhes, constata-se que a frequência de instalação e desinstalação de apps é maior entre os mais jovens e entre os usuários com menor renda. Jovens têm naturalmente mais interesse por tecnologia e mais tempo para explorá-la. E as pessoas com menor renda têm aparelhos mais baratos com pouca memória, o que as obriga a constantemente remanejar os aplicativos.

Aproximadamente 20% de usuários declaram ter instalado ou desinstalado um app há mais de um mês. Esse grupo se concentra nitidamente entre os mais velhos, com 50 anos de idade ou mais.

Download pago

Essa alta volatilidade não significa compra de apps. Na verdade, pouquíssimos brasileiros pagam por aplicativos. Apenas 13,3% já compraram um app na vida, de acordo com a pesquisa. O perfil médio desse seleto grupo é o seguinte: homem, entre 16 e 29 anos, da classe A ou B, com iPhone. A disparidade entre os sistemas operacionais é gritante. Enquanto 34% dos entrevistados com iPhone já compraram um app, o percentual cai para 11,6% entre aqueles com Android. A diferença por gênero também é marcante: 19,2% dos homens já pagaram por um app, contra 9,7% das mulheres.

Por outro lado, 46,2% declaram já ter feito compras in-app, o que atesta o sucesso do modelo de negócios “freemium”, em que o app é distribuído de graça mas oferece uma série de opções à venda, como o desbloqueio de funcionalidades, o acesso a conteúdos extras etc. Há uma vasta oferta de títulos nas lojas de aplicativos que adotam esse modelo de negócios, nas mais variadas categorias. Isso explica o fato de 56,3% dos brasileiros que nunca compraram um app alegarem “não ver necessidade” para tal. Ou seja, tudo o que desejam fazer no smartphone é provido satisfatoriamente por aplicativos gratuitos.

Outros dados

O relatório da pesquisa inclui também um ranking dos apps mais comuns na homescreen do brasileiro, assim como um monitoramento dos segmentos de games móveis, serviços pagos de entretenimento móvel, antivírus móvel e serviços pagos de backup para dispositivos móveis.

Fábricas Inteligentes devem adicionar US$ 500 bilhões à economia global nos próximos cinco anos

De acordo com a pesquisa do Instituto de Transformação Digital da consultoria Capgemini, os produtores esperam que seus investimentos em fábricas inteligentes sejam responsáveis por um aumento de 27% de produtividade nos próximos cinco anos, o que deve adicionar US$ 500 bilhões à economia global1.

Geralmente descrita como a pedra estrutural da “Revolução Digital Industrial”, uma fábrica inteligente faz uso de tecnologias digitais, como IoT (Internet das Coisas), big data analytics (análise inteligente de dados), inteligência artificial e robótica avançada, para aumentar produtividade, eficiência e flexibilidade.

Os recursos da fábrica inteligente incluem robôs colaborativos, trabalhadores que usam componentes de realidade aumentada² e máquinas que enviam alertas quando precisam de manutenção. Até o final de 2022, os fabricantes esperam que 21% de suas fábricas sejam inteligentes. Setores como aeroespacial e defesa, fabricação industrial e automotiva, nos quais as pessoas já trabalham ao lado de máquinas inteligentes, devem liderar esta transição.

Digitalização das fábricas é uma necessidade

Como resultado de melhorias na produtividade e maior flexibilidade, as fábricas inteligentes se beneficiarão de reduções significativas nos custos operacionais. Por exemplo, o relatório estima que um fabricante automotivo poderia atingir uma melhoria de cerca de 40% na sua margem operacional³ por meio de melhores custos de logística e material, eficácia do equipamento e de qualidade de produção. Como tal, a maioria das empresas industriais já embarcou na digitalização de plantas produtivas para permanecer competitiva. Apenas 16% dos entrevistados dizem que não têm uma iniciativa de fábrica inteligente, ou planos futuros para implementar uma.

Os pioneiros na adoção, incluindo fábricas nos Estados Unidos e Europa Ocidental, estão liderando a corrida; metade dos entrevistados na Alemanha, Estados Unidos, França e Reino Unido já implementaram fábricas inteligentes, contra 28% na Índia e 25% na China. Uma divisão é vista também em vários setores; 67% da indústria de manufatura e 62% das aeroespaciais e de defesa têm iniciativas de fábricas inteligentes. No entanto, pouco mais de um terço (37%) das empresas de ciências da vida e farmacêuticas estão alavancando a tecnologia digital em busca de um modelo de negócio disruptivo.

“Um efeito colateral da globalização é que as empresas têm um conjunto mais diversificado de concorrentes, com tecnologia e ferramentas à sua disposição para melhorarem constantemente. Com a finalidade de criar polos de criatividade e nos destacarmos na multidão, estamos usando a tecnologia para fortalecer a nossa oferta”, diz Paul Boris, vice-presidente de Indústrias de Manufatura da GE Digital. “Por exemplo, abrimos nossa primeira fábrica inteligente em 2015 e conseguimos reduzir as paradas não planejadas entre 10% e 20%”.

Com ganhos econômicos provavelmente conservadores, fábricas inteligentes poderiam acrescentar US$ 1,5 bilhão à economia global

O dinheiro está transbordando nas fábricas inteligentes; mais da metade (56%) dos entrevistados investiram US$100 milhões ou mais em iniciativas de fábricas inteligentes nos últimos cinco anos e 20% investiram US$500 milhões ou mais. No entanto, de acordo com a análise do Instituto de Transformação Digital da Capgemini, apenas um pequeno número de organizações (6%) está em estágio avançado de digitalização da produção. Além disso, apenas 14% dos respondentes estão “satisfeitos” com o seu nível de sucesso.

Fabricantes estão prevendo que 21% das suas plantas serão fábricas inteligentes até o final de 2022. À medida que os esforços dos fabricantes crescem e os retornos melhoram, o relatório prevê investimentos adicionais em digitalização. A previsão do estudo da Capgemini é de que metade das fábricas poderia ser inteligente até o final de 2022 com os ganhos de produtividade adicionando até US$1,5 bilhão para a economia global.

“Este estudo deixa claro que estamos agora na revolução digital industrial e que o impacto disso na produtividade será profundo”, diz Jean-Pierre Petit, líder global de Manufatura Digital na Capgemini. “Os próximos anos serão críticos à medida que os fabricantes e seus concorrentes intensificam suas capacidades digitais e aprimoram sua abordagem para maximizar os benefícios comerciais”.

Fábricas inteligentes mudarão o mercado de trabalho global

A mudança para fábricas inteligentes virá com uma redução significativa nos custos de mão de obra direta. A pesquisa da Capgemini mostrou que os fabricantes esperam uma redução de 25% nos custos de mão de obra em fábricas inteligentes até 2022. Embora a perspectiva de curto prazo seja sombria para empregos de baixa qualificação / baixo salário, muitos fabricantes reconheceram a obrigatoriedade das habilidades e estão agindo sobre ela. Mais da metade (54%) dos entrevistados estão fornecendo treinamento em habilidades digitais para seus funcionários e 44% estão investindo na aquisição de talentos digitais para preencher a lacuna de habilidades.

“Estamos vendo um grande sucesso no trabalho de nossos funcionários com novas tecnologias. Por exemplo, utilizamos robôs inteligentes em nossos negócios onde há questões ergonômicas, criando um ambiente mais seguro para os trabalhadores e dando-lhes tempo para se concentrarem em outras tarefas mais importantes”, diz Gregoire Ferre, diretor Digital da Faurecia. Sobre os planos de fábricas inteligentes da Faurecia, ele acrescentou: “O lançamento de fábricas inteligentes greenfield, bem como a digitalização das mais de 300 plantas da Faurecia, é um elemento fundamental do nosso programa de transformação digital. Também estamos vendo o sucesso em ‘renovar’ os processos antigos para sermos mais eficientes com, por exemplo, a redução do uso de papel ou com a adoção de tecnologia como parte do nosso esquema de manutenção preditiva – o que economiza tempo aos nossos funcionários”.

Metodologia do Relatório de Fábricas Inteligentes da Capgemini

A pesquisa, que foi realizada de fevereiro a março de 2017, entrevistou mil executivos que ocupam o cargo de diretoria para cima em empresas de manufatura com uma receita de mais de US$1 bilhão ao ano. A pesquisa foi conduzida em seis setores: manufatura industrial, automotivo e transporte, energia e utilities, aeroespacial e defesa, ciências da vida e produtos farmacêuticos e bens de consumo. Diretores da Alemanha, China, Estados UnidA?os, França, Índia, Itália, Reino Unido e Suécia responderam entrevistas qualitativas e quantitativas.

Notas

1 Nos próximos cinco anos, produtores esperam que fábricas inteligentes tragam melhorias de desempenho que excedam significativamente os seguintes esforços:

Produtividade cresça anualmente a uma taxa de crescimento de 7 vezes desde 1990

Importantes itens de custo esperados para serem racionalizados em mais de 11 vezes a taxa de melhoria desde 1990

Indicadores de qualidade que deverão chegar a mais de 12 vezes a taxa de melhoria desde 1990

2 Componentes podem incluir capacetes, projeções, lentes, tablets, vestíveis, entre outros

3 Com fábricas inteligentes, um produtor automotive médio com US$ 1 bilhão de receita e 5% de margem operacional seria capaz de aumentar sua margem em 40% – ou 2 pontos percentuais para 7%.

76% não conseguiram guardar dinheiro em abril, mostram SPC Brasil e CNDL

Com a perda do poder compra e o desemprego elevado, o brasileiro não está conseguindo guardar dinheiro para realizar um sonho de consumo, se preparar para a aposentadoria ou até mesmo para lidar com imprevistos. Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revelam que 76% dos consumidores brasileiros não conseguiram guardar nenhuma parte de seus rendimentos no último mês de abril. Apenas 20% dos entrevistados foram capazes de poupar ao menos parte do salário. O baixo número de poupadores tem se mantido estável desde janeiro deste ano, mês de início da série histórica.

A abertura do indicador por faixa de renda revela que é nas classes C, D e E em que o problema surge com mais força. Oito em cada dez (82%) pessoas que se enquadram nessa faixa de rendimento não conseguiram poupar dinheiro. Já nas classes A e B, o percentual de não-poupadores cai para 57% da amostra.

Entre os brasileiros que não pouparam nenhum centavo, 47% justificam receber um salário muito baixo, o que inviabiliza ter sobras no fim do mês. Outros 17% disseram não ter tido ganho de renda e 15% foram surpreendidos por algum imprevisto financeiro. Há ainda 9% de consumidores que admitiram ter perdido o controle sobre os próprios gastos, fato que impossibilitou fechar o mês com as contas no azul.

No total, 64% dos brasileiros não possuem qualquer tipo de reserva financeira – percentual que cai para 39% entre as pessoas das classes A e B -, e dentre aqueles que têm algum recurso guardado (33,3%), mais da metade (51%) fizeram uso recentemente dos recursos poupados. Os principais motivos foram o pagamento de despesas do dia a dia (14%), imprevistos (12%) e pagamento de dívidas (10%).

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, alerta que o hábito de poupar é mais importante do que o valor que se guarda mensalmente, pois com o passar do tempo, essa quantia pode ir aumentando gradativamente. “Quando falta o básico, é difícil falar em reserva financeira. Nesses casos, ainda que não seja possível poupar com frequência, vale o esforço de poupar ao menos parte de rendas extras e eventuais. Os aportes não precisam ser altos, e de pouco em pouco, esse consumidor pode constituir um colchão para pelo menos lidar com imprevistos. O grande desafio é manter a disciplina e só sacar esse dinheiro em caso de extrema necessidade”, orienta a economista.

38% dos poupadores guardam dinheiro para lidar com situações de imprevisto; Mesmo entre quem poupa, maioria recorre a aplicações de baixa rentabilidade

A pesquisa mostra que dentre os brasileiros que possuem alguma reserva financeira, o objetivo principal é se proteger contra situações imprevistas e não necessariamente realizar um sonho ou fazer compras. No total, 38% dessas pessoas pouparam parte de suas rendas para se prevenir contra doenças ou imprevistos em casa, 30% para garantir um futuro melhor para seus familiares e outros 30% para enfrentar uma possível demissão. Somente a partir do quarto lugar no ranking de citações é que aparecem opções relacionadas a consumo, como realizar um sonho de compra (22%), fazer uma viagem (20%), bancar os estudos (17%) e comprar ou quitar a aquisição da casa, ambos com 16% de menções.

Considerando o destino dos rendimentos, a maioria (68%) dos poupadores escolheu um tipo de aplicação de baixa remuneração, como a caderneta de poupança. Em segundo lugar, 18% dos entrevistados decidiram manter o dinheiro guardado na própria casa, opção não recomendada por questões de segurança e por não render juros. Em seguida aparecem opções mais sofisticadas de aplicações, como os fundos de investimento (8%), a Previdência Privada (8%), o CDB (6%) e o Tesouro Direto (5%). Para os especialistas do SPC Brasil, a preferência majoritária pela poupança ou por guardar dinheiro na própria casa demonstra que mesmo entre aqueles que guardam dinheiro, há falta de conhecimento e cuidado em buscar aplicações mais rentáveis e adequadas para cada tipo de objetivo financeiro.