87% das cadeiras de CFOs são ocupadas por homens

São Paulo (SP) – Embora 91% dos CFOs (sigla para Chief Financial Officer) no Brasil identifiquem ações de diversidade e inclusão em suas respectivas empresas, quando analisado de perto, este grupo compreende um perfil muito pouco heterogêneo. Essas cadeiras são ocupadas majoritariamente por pessoas brancas (94%), homens (87%), com idade média de 48 anos. Os dados são da pesquisa O perfil do CFO no Brasil 2022, realizada pelo Insper, uma das principais instituições de ensino superior e pesquisa do Brasil, em parceria com Assetz Expert Recruitment, consultoria de recrutamento focada em finanças.

A pesquisa ouviu 92 CFOs, todos à frente de companhias com faturamento de pelo menos R$ 1 bilhão. Foram contempladas empresas de capital nacional (72%) e estrangeiro (28%), dos mais diversos segmentos, entre os quais se destacam Indústria (21%), Infraestrutura, Energia e Construção (20%) e Varejo e Atacado (15%). Na segunda edição do levantamento – a primeira foi publicada em 2021 –, para além da trajetória dos diretores financeiros das maiores empresas do Brasil, os executivos foram questionados também sobre como enxergam e avaliam a diversidade na área de Finanças.

“A parceria duradoura entre Insper e Assetz para elaborar uma pesquisa de periodicidade anual nos dá respostas que não conseguiríamos apenas em levantamentos pontuais. Além disso, a pesquisa deste ano traz a diversidade como tema principal e mostra que o assunto tem destaque crescente nas empresas. Apesar deste reconhecimento, nota-se que o setor analisado ainda foca apenas na promoção de ações em torno da diversidade de gênero, sem abranger outras dimensões para inclusão racial ou PCD, por exemplo. Ou seja, ainda temos um longo caminho pela frente”, afirma o professor Carlos Caldeira, coordenador do Centro de Estudos em Negócios do Insper e um dos autores do estudo.

Entre os respondentes, 91% afirmam que suas respectivas corporações promovem a inclusão e a diversidade em algum grau, enquanto 63% dizem acreditar que das dimensões de diversidade, a de gênero é a mais avançada. No grupo analisado, no entanto, essa proporção ainda é bastante desequilibrada: a parcela de 13% de mulheres entre os CFOs entrevistados está longe da distribuição entre homens e mulheres na sociedade brasileira (48,2% ante 52,8%, respectivamente), como também aquém da participação de 37,4% de mulheres em cargos gerenciais segundo dados da última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), realizada em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda sobre percepções pessoais de fomento à diversidade dentro de suas organizações, 10% dos entrevistados afirmam que a mais presente é a socioeconômica, 9% a dimensão étnico-racial, 6% geracional – que contempla os colaboradores com mais de 50 anos de idade –, 6% de PCDs (pessoas com deficiência), 4% referente à orientação sexual e 1% à nacionalidade.

“O estudo traz uma fotografia de como o tema diversidade tem sido encarado dentro das principais companhias do País. Os entrevistados têm a clareza de que o investimento em políticas de diversidade e inclusão traz uma série de benefícios para suas empresas, mas há ainda muito a ser executado, sobretudo na área de finanças”, pontua Guilherme Malfi, cofundador da Assetz. “Ter a real dimensão desse cenário é de extrema importância não só para o fomento de ações nessa direção, mas também para uma real conscientização dos próprios CFOs como agentes dessa transformação”, completa.

Chamam atenção algumas disparidades quando cruzados dados relativos à diversidade e tópicos relacionados à jornada desses executivos. Entre os diretores consultados, os que se declaram negros ou pardos tiveram menos acesso à educação pública (17%), onde muitos dos cursos são considerados como de melhor qualidade, e nenhum deles cursou MBA no exterior – realização que chega a 25% entre homens brancos.

O estudo avaliou ainda o quão dispostos estão os CFOs a trabalhar em prol da promoção da diversidade e inclusão, entendendo com eles quais pontos poderiam ser flexibilizados nas contratações para o seu time. Segundo o levantamento, 36% afirmam que contratariam profissionais que não cursaram universidades de primeira linha, mas apenas 12% dos CFOs considerariam candidatos que não vivenciaram experiências em empresas já consolidadas – 88% entendem que a passagem por empresas maiores é um pré-requisito inegociável

Origem

Entre os CFOs entrevistados, 95% deles são brasileiros, em sua maioria (64%) pertencentes à geração X, isto é, nascidos entre 1960 e 1980, com idade média de 48 anos. No que diz respeito à educação formal, 41% deles cursaram Administração, 24% Ciências Econômicas e 23% Engenharia – do todo, 59% cursaram a primeira graduação em uma universidade privada.

Cerca de 20% desses executivos completaram uma segunda graduação, especialmente nas áreas de Ciências Contábeis e Ciências Econômicas, áreas que compreendem significativa parte dos saberes desejados por um diretor financeiro. Em média, os profissionais contemplados pelo estudo têm experiência de 25 anos no setor, tendo assumido a posição de CFO aos 40 anos de idade.

De acordo com a pesquisa, há certo equilíbrio entre contratações externas e promoções internas desses profissionais: 55% vs 41% no caso de empresas nacionais, 58% vs 38% nas estrangeiras – os demais 4% representam executivos que chegaram ao cargo por outro caminho, normalmente via conselhos ou consultorias. Entre os profissionais contratados do mercado, 78% já ocupavam a posição de CFO em outra empresa.

Desafios

O estudo traz ainda um raio-x acerca das habilidades e experiências que têm os CFOs. Entre as áreas de conhecimento de maior domínio, se destacam fusões e aquisições (86%), captação (83%) e integração de empresas adquiridas (82%).

Entre os entrevistados, 65% afirmam não ter um sucessor interno que esteja pronto para assumir sua cadeira de CFO imediatamente. Tal afirmação, inclusive, traz reflexos em outros dois momentos do estudo. O primeiro diz respeito à gestão de pessoas: a maior preocupação apontada pelos diretores financeiros trata justamente do aumento da senioridade do seu time, aspecto mencionado por 28% deles. O segundo refere-se à maior participação de executivos contratados no mercado em relação aos promovidos como já colocado anteriormente.

Futuro

Quando realizados recortes de diversidade junto a questionamentos sobre planos para o futuro, nota-se que quase metade dos grupos constituídos por mulheres, negros e 50+ não se enxerga como CEOs ou CFOs em outras empresas no prazo de cinco anos. “Esse resultado muito provavelmente sugere que mesmo ocupando hoje um cargo do alto escalão e estratégico dentro de suas respectivas companhias, esses profissionais ainda sentem barreiras colocadas por gênero, raça e idade”, reforça Felipe Brunieri, também cofundador da Assetz.

Enquanto a remuneração aparece como o maior desafio enfrentado pelo CFO para aquisição e retenção de talentos (20% e 25%, respectivamente), quando interrogados sobre o que os retém na empresa, a remuneração aparece em apenas 8% das respostas. Autonomia e participação em decisões estratégicas são fatores citados por 25% dos entrevistados. Em seguida, temos a compreensão de que a companhia vive um bom momento e a existência de perspectivas de crescimento do negócio como fatores apontados por 17% dos CFOs para a permanência na empresa em que atuam.

Tais justificativas convergem com o que pretendem os diretores de finanças para o próximo passo da carreira: a grande maioria (72%) planeja ascender, seja para CEO (32%), CFO de empresa de capital aberto (23%) ou conselheiro de uma empresa (17%).

Autor: canalexecutivoblog

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