Prefeito de São Paulo anuncia nova PPP na China

Em busca de investidores para as PPPs (parcerias público-privadas) que pretende lançar na cidade de São Paulo, o prefeito João Doria embarcou esta semana com destino à China, onde vem cumprindo uma agenda de reuniões com empresários, instituições financeiras e autoridades do país. Na bagagem, ele levou alguns dos principais projetos previstos na capital paulista, como a concessão do parque do Ibirapuera e do Mercado Municipal, além de um guia editado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), intitulado “Doing Business in São Paulo City”, que apresenta um perfil econômico da cidade.

Mas foi na visita a duas das maiores empresas de segurança eletrônica do mundo, na cidade de Hangzhou, que a programação saiu do script, quando Doria colocou em prática seu habitual método de “passar o chapéu” entre os empresários. Como resultado, o prefeito de São Paulo obteve a doação de duas mil câmeras de segurança e dois drones. Metade das doações foi realizada pela HikVision, que responde por mais de um quarto dos sistemas de segurança em operação no mundo, e a outra metade veio da Dahua, responsável pelo monitoramento eletrônico nas Olimpíadas de 2016 e na cúpula do G20 realizada no mesmo ano.

Os drones, avaliados em cerca de 100 mil dólares cada, serão destinados a ações de vigilância realizadas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). Todos os bens recebidos em doação farão parte do programa City Câmeras, lançado em março, que integra uma rede de câmeras públicas e privadas – pertencentes a cidadãos e empresas que aceitam se integrar ao sistema –para o fornecimento de informações às polícias e a prevenção de crimes.

A visita a Hangzhou, aliás, serviu para Doria observar as possibilidades oferecidas pelo monitoramento eletrônico. Com cerca de 10 milhões de habitantes, um pouco menos que São Paulo, a cidade sede de dois dos maiores players globais desse setor conta com dois milhões de câmeras integradas para vigilância e prevenção ao crime. Isto significa que, por meio de um software, o sistema consegue identificar um crime em curso – como perceber que uma pessoa sacou uma arma, por exemplo – e enviar alerta para um agente de segurança mais próximo.

A cidade de São Paulo, por sua vez, conta com apenas 1.400 câmeras, que não dispõem dessa funcionalidade e cuja integração ainda está incompleta. Para Doria, as doações recebidas são bem-vindas em um município que apresenta um déficit de 7,5 bilhões de reais nas contas públicas. Empolgado com o “presente” dos empresários, o prefeito anunciou que formará um grupo de trabalho para analisar a estruturação de uma PPP para o sistema de monitoramento eletrônico da cidade. A ideia, segundo ele, é cobrir uma extensa área da capital paulista, “do centro à periferia”.

Segundo o prefeito, as empresas doadoras de câmeras e drones não serão beneficiadas nesse projeto, uma vez que o edital de licitação terá regras pré-estabelecidas e será aberto aos demais concorrentes do mercado. Mesmo assim, os empresários chineses demonstraram interesse em participar do projeto anunciado por Doria. O presidente da Dahua, Fu Liquan, disse que sua empresa não costuma realizar doações, mas atendeu “ao pedido do prefeito, que sabemos ser um grande empresário em seu país”.

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