Compra da The Body Shop pode levar Natura a ter receita de R$ 11,5 bi

A compra da rede The Body Shop, cuja transação de € 1 bilhão deverá ser concluída até o fim deste ano, levará a Natura a ter um faturamento de R$ 11,5 bilhões, valor 45% superior ao registrado no ano passado.

A aquisição, antecipada pelo Estadão no fim de abril, ainda depende da aprovação do conselho de funcionários da multinacional francesa L’Oréal, que havia comprado a marca inglesa em 2006. O processo de negociação, porém, está em fase final, conforme afirmou em conferência a jornalistas o presidente da Natura, João Paulo Ferreira, na manhã da última sexta-feira, 9.

Com a compra, a Natura pretende construir um grande grupo global de marcas, ampliar seu processo de internacionalização e diversificar seus canais de venda, disse Ferreira. A companhia começou a atuar fora do Brasil com a compra da rede australiana Aesop, que está em 20 países.

A aquisição da Aesop também garantiu à Natura sua primeira experiência relevante com rede de lojas. Agora, com a inclusão da The Body Shop em seu portfólio, a brasileira passará a comandar 3,2 mil pontos de venda em todo o mundo. Apesar de ter algumas lojas com a marca Natura em operação no País, a companhia se desenvolveu sobretudo através de vendas diretas – hoje são 1,8 milhão de vendedores independentes.

“Nos últimos anos, temos direcionado também energia à complementariedade de outros canais. Abrimos lojas próprias, desenvolvemos nosso negócio online e, com a compra da The Body Shop, complementaremos nossa rede de relações com consultoras e franqueados. Isso será um acelerador da nossa estratégia”, destacou o presidente da Natura.

As conversas entre as empresas começaram em fevereiro, quando a L’Oréal colocou o ativo à venda. A marca britânica vinha apresentando retração nos seus resultados. No ano passado, seu faturamento caiu quase 5%, para 920,8 milhões de euros, e o lucro recuou 38%, para 33,8 milhões de euros. Questionado sobre o desempenho da The Body Shop, Ferreira disse que a marca tem força e uma boa rede de franqueados para crescer.

De acordo com o vice-presidente de relações com investidores da Natura, José Roberto Lettiere, a empresa pagará o negócio com dívida. O executivo não deu detalhes sobre a operação, mas afirmou que o pagamento será feito de forma integral quando a compra for concluída. “Nosso plano é amortizar essa dívida em um prazo bastante razoável. A dívida é muito bem estruturada, utilizando a capacidade de caixa da Natura e complementando com a da The Body Shop.”

Assim como a Natura, a The Body Shop também tem uma proposta sustentável. A marca inglesa foi fundada em 1976, está em 60 países e tinha, no fim do ano passado, 133 lojas no Brasil.

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