Balança comercial atinge recorde histórico

O superávit da balança comercial de abril foi de US$ 7 bilhões o que levou a um saldo acumulado no ano até abril de US$ 21 bilhões e no acumulado de 12 meses de US$ 56 bilhões, o maior valor na série histórica do saldo comercial. Entre os meses de abril de 2016 e 2017, as exportações cresceram 15% e as importações 2%, e na comparação entre os quadrimestres (2016/17), a variação foi de 22% nas exportações e de 9,5% nas importações. O aumento das exportações em valor foi liderado pelo crescimento nos preços, enquanto o das importações, pelo volume. Destaca-se o aumento no volume importado dos bens de capital e bens intermediários na indústria de transformação, o que sinaliza recuperação do setor.

A seguir, os índices de preços e volumes dos fluxos de comércio, onde as desagregações seguem a classificação das Contas Nacionais.

1) Índices agregados de volume e preços: commodities e não commodities.

O aumento em valor nas exportações foi liderado pela elevação nos preços (Gráfico 1). Na variação no acumulado do ano até abril (2016/17) os preços aumentaram 15,1% e o volume, 8,1%. Resultado inverso foi registrado para as importações no mesmo período: queda nos preços de 2,7% e aumento no volume de 14,5%.

O aumento nos preços das exportações foi liderado pelas commodities (Gráfico 2), que seguem uma trajetória ascendente, desde o final do ano de 2016. Na comparação entre o mês de abril de 2016 com 2017, os preços das commodities aumentaram em 23,9% e no acumulado até abril (2016/17), cresceram 27,7%. Em termos de volume, foi registrada queda na comparação mensal. No grupo das não commodities, preços cresceram a um ritmo inferior ao das commodities (1,4%, no acumulado até abril), mas superior em termos de volume (13,7%). Destaca-se que o aumento em valor das não commodities, teve a contribuição do aumento de 60% das exportações de automóveis, veículos de carga e tratores.

2) Termos de troca e taxa de câmbio real efetiva

Os termos de troca em abril caíram em relação a março (-3,2%), resultado de um efeito sazonal, mas continuam crescendo em relação ao ano de 2016. Na comparação entre o primeiro quadrimestre de 2016 e o de 2017 (Gráfico 3), os termos de troca tiveram aumento de 18%, um resultado positivo para a economia. No entanto, a melhora nos termos de troca e o aumento nos superávits comerciais, junto com a redução do risco Brasil contribuíram para a valorização da taxa de câmbio efetiva real. O índice da taxa real de câmbio efetiva valorizou em 22% na comparação entre os primeiros quadrimestres de 2016 e 2017 (Gráfico 3), o que poderia levar a uma queda nas exportações e aumento nas importações.

O volume exportado das commodities é mais sensível à demanda mundial do que ao câmbio. Destaca-se o grupo das exportações de não commodities. O volume exportado desse grupo apresentou os seguintes resultados na comparação mensal de 2017 com o ano de 2016: janeiro, 12%; fevereiro, 2%; março, 34%; e abril, 8%. Os resultados para o volume importado total na mesma base de comparação foram: janeiro, 29%; fevereiro, 11%; março, 12%; e abril, 7,3%.

Os dados não indicam uma tendência nítida de queda no crescimento das exportações ou de aumento nas importações. Em adição, no caso das importações, a influência do nível de atividade doméstica é uma variável relevante e as perspectivas de recuperação da economia devem elevar as compras externas. As análises desagregadas por atividade econômica e categoria de uso ajudaram a esclarecer melhor essas tendências. Observa-se, porém, que se a valorização cambial acelerar, poderemos obter nos próximos meses piores resultados para as exportações de não commodities (queda) e uma aceleração no ritmo de crescimento das importações.

3) Índices desagregados por atividade econômica

A indústria extrativa lidera o aumento de preços (+69%) das exportações na comparação do acumulado até abril entre 2016 e 2017, seguida do setor agropecuário (8,3%) e da indústria de transformação (6,7), conforme o Gráfico 5. Na comparação mensal de abril, os preços na indústria extrativa continuam em alta (54%), seguido da transformação (11%) e agropecuária (7%). No caso do volume, os resultados no acumulado até abril mostram queda nas exportações do setor agropecuário (-2,8%); e, aumento na indústria extrativa (28,7%) e transformação (6,4%), Gráfico 6. Na comparação mensal de abril, os resultados foram: agropecuária (+4,5%); extrativa (-0,5%); e, transformação (0,6%).

Nas exportações, até abril, a indústria extrativa se destaca tanto em preços como em volume, influenciada pelo bom desempenho das vendas de minério de ferro e a recuperação do setor petróleo. A agropecuária é influenciada por fatores sazonais e impactos negativos da questão da carne não contaminaram os resultados em abril. Os indicadores da indústria de transformação indicam crescimento em relação a 2017. Um cenário positivo para as vendas externas brasileiras.

Os preços das importações caem na comparação do acumulado até abril na indústria extrativa (-7,7%) e na de transformação (-6,4%), mas cresce na agropecuária (+15,3%). Esse mesmo comportamento se repete na comparação mensal: agropecuária (12%); extrativa (-3%); e, transformação (-5%). O aumento nos preços das importações de produtos agropecuários, no entanto, não tem pressionado a taxa de inflação brasileira.

Em termos de volume, o destaque é a indústria de transformação (21%), seguida da extrativa (6,8%) e agropecuária (-3,2%). Na comparação mensal apenas a indústria de transformação registrou variação positiva (14%), as demais recuaram em relação a abril de 2016 – agropecuária (-0,8%) e extrativa (-6%).

O aumento nas importações da indústria de transformação reflete valorização do câmbio, mas também recuperação, mesmo que modesta, do nível de atividade da economia. A análise por categoria de uso permite verificar a estrutura das importações.

4) Índices desagregados por categoria de uso

Na indústria de transformação, os índices de preços das exportações por categorias de uso na comparação do acumulado até abril aumentam para bens de capital (+6%), consumo não duráveis (+21%) e caem para as demais categorias, consumo duráveis (-2,4%), semiduráveis (-3%) e intermediários (-7%). Em termos de volume (Grafico 7), são destaques o aumento dos bens duráveis (52%) e de bens de capital (28%) na comparação mensal e na do acumulado até abril, 24%( bens de capital) e 47% (consumo duráveis). Nessas categorias estão as exportações do setor de material de transporte. Queda no volume exportado só ocorre na categoria de semiduráveis.

Os preços de todas as categorias de uso das importações da indústria de transformação caíram na comparação mensal e no acumulado até abril. Os resultados para a comparação dos acumulados entre 2016 e 2017 são: bens de capital (-8,5%); consumo duráveis (-3,8%); não duráveis (-6,5%); semiduráveis (-7,6%); e intermediários (-6,3%). Em termos de volume (Gráfico 8), o resultado positivo para os bens de capital (6% na comparação do acumulado) indica que alguns setores da indústria voltaram a investir com a perspectiva de retomada do crescimento econômico. O aumento no volume de bens intermediários (29%, no acumulado) também é um sinal positivo em termos de crescimento do nível de atividade. Observa-se, porém, que nesse grupo estão todos os bens intermediários importados que são produzidos pela indústria de transformação e uma parte desses produtos se destina para atividades da agropecuária.

Os resultados indicam, portanto, que as exportações de segmentos da indústria de transformação voltaram a ter desempenho favorável e que as importações por categoria de uso de bens de capital e bens intermediários confirmariam as previsões de um início de recuperação da atividade na indústria de transformação.

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