Inepar vende unidade em modelo praticamente inédito

A Bree, Brazilian Energy Efficiency, é a nova marca da Inepar Capacitores. A estratégia da empresa, comandada por novos acionistas, é somar uma forte atuação na área de eficiência energética e qualidade de energia à experiência de três décadas como fabricante de produtos, diagnósticos e soluções de distúrbios em sistemas elétricos. Além de seguir atendendo o mercado interno, onde consolidou uma extensa carteira de clientes, a Bree se posiciona como empresa global e pretende buscar 30% de suas receitas no mercado externo.

“Somos a única empresa brasileira na produção de capacitores e banco de capacitores, num cenário dominado por gigantes multinacionais. Temos a capacidade de atender o cliente de ponta a ponta, produzindo equipamentos, oferecendo a instalação e acompanhamento e buscando soluções inteligentes para o mercado de eficiência energética e qualidade de energia”, explica o diretor geral, Rafael Wolf Campos, um dos investidores.

Graças a mecanismos da atual Lei de Falências (nº 11.101, de 2005), que proporcionam garantia aos compradores de ativos de empresas em recuperação judicial, a Bree nasce completamente desvinculada de qualquer passivo do Grupo Inepar/Iesa. A Inepar Capacitores foi a primeira UPI (Unidade Produtiva Isolada) do Grupo Inepar a ser vendida em leilão, realizado em 3 de outubro de 2016, dentro do processo de recuperação judicial da holding.

O grupo investidor – que atua em geração de energia, construção civil e serviços – comprou 51% da sociedade e possibilitou aos funcionários da Inepar Capacitores a aquisição de 49%, em processo conhecido no mercado como “management + investors buy out”, pelo qual uma companhia é comprada por um grupo de funcionários e investidores externos. Esta configuração – raramente empregada no Brasil – permitiu aos novos acionistas um ambiente de riscos mitigados e um grande impulso para reposicionar a empresa no cenário.

“Os alicerces que conferem reconhecimento de mercado à Inepar Capacitores permanecerão. Seu corpo técnico, responsável pelo trabalho de inteligência e engenharia, detém três décadas de experiência à frente do desenvolvimento tecnológico, engenharia de produto e de aplicação em campo, além da gestão do processo industrial na área de compensação reativa”, menciona o engenheiro eletricista Ricardo Woitowicz.

Ele liderou a busca por investidores e a negociação para compra da empresa, e agora responde como diretor comercial da Bree. Os 80 colaboradores, dos quais mais de 20% são engenheiros, permanecem na companhia, cujo parque industrial ocupa uma área de cinco mil metros quadrados em Araraquara (SP).

Seu mercado historicamente se concentra na indústria e nas concessionárias de transmissão e distribuição de energia. Em 2016, vendas diretas de produtos às concessionárias representaram 62% do faturamento. O mercado interno representa 95% das vendas e o mercado externo está na mira da empresa. “A expectativa é alavancar o relacionamento com o mercado externo com o objetivo de que 30% do faturamento venha de clientes de outros países nos próximos cinco anos”, comenta Campos.

Para consolidar sua expansão nesse mercado de eficiência energética e qualidade de energia, a Bree está reforçando a área dedicada à solução e estudos. O objetivo é buscar novos produtos, parcerias e diferenciação tecnológica. Com a nova marca, a companhia assume o desafio de manter-se jovem, inovadora e robusta, fortalecendo parcerias para continuar crescendo.

O que faz a Bree

Empresa 100% brasileira, a Bree fabrica produtos voltados ao mercado de energia, como capacitores, bancos de capacitores, filtros de harmônicos, reatores e chaves. Atua ainda na integração de soluções, fornecendo projetos completos – turn key – na área de subestações, e soluções completas em qualidade de energia.

O plano de negócios prevê que o faturamento cresça na área da qualidade da energia, hoje uma das maiores preocupações das agências reguladoras e concessionárias de energia elétrica. Os principais fatores para essa aposta são: a mudança na matriz energética nacional, com expansão de fontes renováveis como solar e eólica; a descentralização das fontes geradoras, com o crescimento da geração distribuída ou auto-geração; e a exigência de equipamentos cada vez mais sofisticados no setor industrial, muito sensíveis à qualidade da energia.

“A combinação desses fatores exige equipamentos e soluções confiáveis, que a Bree está preparada para fornecer, seja com produtos próprios ou de outros fabricantes”, explica Woitowicz. “Enxergamos um futuro promissor para o segmento de energia elétrica. A energia é insumo essencial em qualquer processo produtivo”, completa o engenheiro.

Apenas na instalação de sistemas de autogeração, a Aneel previa um crescimento na faixa de 800% em 2016, com predominância da energia solar fotovoltáica. Esse segmento deve movimentar R$100 bilhões até 2030 e configura um cenário que exige investimentos da cadeia de geração, transmissão e distribuição, para que a energia chegue ao destino em parâmetros ideais de qualidade, capaz de garantir à indústria a qualidade dos produtos finais.

Operação pioneira

A Inepar Capacitores foi leiloada em 3 de outubro de 2016, dentro do processo de recuperação judicial da holding. A empresa foi adquirida pelo grupo de investidores e funcionários que constituiu a Bree. Em conjunto, eles elaboraram o plano de negócios, com alinhamento sobre gestão e operação, e a proposta de compra, que foram apresentados ao juiz responsável pelo leilão. Não houve outras propostas arrematantes.

“Essa foi uma operação pioneira em São Paulo. Os gestores e funcionários que conseguem comprar uma empresa conquistam uma importante vantagem competitiva: conhecer como ninguém a realidade financeira, os problemas e as potencialidades da companhia”, explica o advogado Pedro Bianchi, da Felsberg Advogados, escritório que coordena o processo de recuperação judicial do Grupo Inepar/Iesa, em São Paulo.

No caso da Bree, o emprego de recursos próprios para a compra da UPI foi outro fator de segurança da operação. “Muitas vezes, para conseguir que a aquisição seja efetivada, os compradores recorrem a financiamentos. Nesse caso, o risco foi ainda mais reduzido com a aquisição sendo realizada exclusivamente com recursos próprios”, diz o advogado.

A atual Lei de Falências tem mecanismos que proporcionam garantia aos compradores de ativos de empresas em recuperação judicial. “A lei garante que a empresa vencedora do leilão não assumirá as dívidas do vendedor do ativo que for desvinculado na chamada unidade produtiva isolada. A UPI protege os interesses dos investidores na compra do ativo da empresa em recuperação judicial de potenciais sucessões de dívidas”, comenta o especialista.

Cerca de quatro mil empresas entraram em recuperação judicial nos últimos três anos, segundo dados da Serasa Experian. Em 2016, o indicador aponta para um número 44,8% maior do que o registrado em 2015, sendo o maior para o acumulado do ano desde 2006. Ainda segundo a Serasa, as micro e pequenas empresas lideraram as solicitações de recuperação judicial de 2016, com 1.134 pedidos, seguidas pelas médias (470) e pelas grandes empresas (259).

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