Ubook recebe investimentos e aquece o mercado de audiolivros

A história do crescimento do segmento de audiolivros no mercado mundial ganha mais uma página e o Brasil é o personagem central deste novo capítulo. Protagonista no cenário atual do mercado doméstico, o Ubook, primeiro serviço de audiolivros por streaming do País, acaba de conquistar mais um aporte de investimento para acelerar seus passos neste trajeto.

O Ubook recebeu nesta semana R$ 3,2 milhões do Cypress M3 FIP, da Trivella Investimentos, uma gestora independente de recursos focada em empresas brasileiras de middle-market. “Globalmente, o setor de audiolivros já movimenta um mercado relevante. No Brasil, em pouco tempo, o Ubook conseguiu provar com números impressionantes que este segmento tem tudo para também se transformar em um potencial negócio, e nós queremos fazer parte desta história”, comenta Francesco Martino da Trivella. Com apenas dois anos e meio de sua criação, a startup 100% brasileira conta com mais de dois milhões de usuários cadastrados em sua base e já é considerada a maior plataforma de audiolivros por streaming da América Latina.

Outros números também expressam o progresso da empresa neste período. Quando o Ubook foi criado, em outubro de 2014, os fundadores conseguiram apenas algumas centenas de obras em áudio para incluir no catálogo, que era o que havia disponível no mercado local. Hoje, já são mais de 100 mil títulos e o número só cresce a cada dia. Além disso, a empresa já fechou parceria com mais de 100 editoras nacionais. Para muitas obras, o Ubook investe em toda a produção da versão em áudio, o que resulta, em contra-partida, na exclusividade da divulgação de muitos conteúdos. Com o aporte recebido, a produção de novos títulos deve ser intensificada.

Ainda sobre as parcerias com editoras, vale destacar a relevância que os conteúdos em áudio começam a receber deste setor. “Hoje, já conseguimos, em muitos casos, combinar divulgação simultânea de novos títulos, como ocorreu com o livro do Rick Bonadio, cuja versão em áudio foi lançada praticamente ao mesmo tempo em que o produto impresso. Em outros casos, já temos autores que estão lançando primeiro o livro na versão em áudio conosco, para depois publicarem a versão impressa, como ocorreu com o ‘Contando estrelas’, da Thati Machado.

Estas parcerias sinalizam que, não apenas o consumidor, mas o mercado editorial e os autores já reconhecem a relevância que este novo formato tem”, diz Flávio Osso, CEO do Ubook. “Mas, é claro que a quantidade de lançamentos de títulos impressos ainda é muito superior ao que produzimos em áudio hoje. Para encarar este desafio, temos que investir bastante em tecnologia para entregar uma experiência incrível ao cliente e, claro, investir em licenciamento e produção de novos títulos em português”, complementa.

Por este motivo, melhorias contínuas na tecnologia também serão contempladas com o investimento recebido. “O principal destino do recurso é o contínuo desenvolvimento da plataforma Ubook”, explica Osso. “Isto envolve desafios de conteúdo e de tecnologia, onde cada vez mais precisamos entender, selecionar, recomendar e entregar o conteúdo certo para o consumidor certo, seja um livro, um artigo de revista, uma palestra, podcast ou notícia”, esclarece o CEO.

A crescente aceitação do produto pelo público tem algumas explicações, segundo Osso. Além da facilidade da tecnologia – uma vez que a plataforma pode ser acessada de forma fácil por tablets e celulares, seja por meio de aplicativo ou acesso à Web – o hábito de otimizar o tempo também contribui. “Um bom exemplo disto é durante o trânsito. Seja para quem está dirigindo ou se locomovendo por transportes públicos, o tráfego é mais caótico a cada dia e as pessoas tendem a considerar este um período ‘perdido’. Ouvir um livro enquanto se está parado no trânsito traz a sensação de aproveitar muito melhor este tempo, pois a pessoa acrescenta cultura e entretenimento ao seu cotidiano, atividade que, provavelmente, não conseguiria incluir em sua agenda em meio aos compromissos do dia a dia”, esclarece.  Diante deste cenáro, a expectativa é de que cada vez mais usuários se conectem ao serviço.

Para a distribuição do conteúdo, o Ubook também celebra parceria com todas as operadoras de telefonia celular do País. “Isso facilita a nossa distribuição em nível nacional e também demonstra a credibilidade que conquistamos junto a grandes players do mercado”, enfatiza o CEO.

Os resultados atuais já comprovam o sucesso deste setor no Brasil. Em 2015, o Ubook atingiu a marca de R$ 15 milhões em vendas; no ano passado, a empresa fechou R$ 25 milhões. Com o aporte recebido da Trivella, a empresa espera alavancar as vendas em 80%. Outro fator que comprova o potencial deste mercado é o fato de o Cypress M3 ter sido o segundo fundo a investir na empresa neste curto espaço de tempo.  Em Junho de 2015, a empresa já havia recebido aporte da Koolen & Partners.  “Acreditamos que a democratização da cultura, levando informação de forma acessível à população, é o caminho para transformar a sociedade. Por isso, acreditamos e investimos no Ubook e estamos muito felizes com os resultados que estamos colhendo”, pondera Rodrigo Borges, da Koolen.

Ao total, o Ubook já recebeu R$ 8 milhões em investimento direto, entre aportes dos sócios fundadores, Koolen & Partners e Cypress M3.  “Os investimentos destes dois fundos mostram que, além do Ubook, há mais pessoas acreditando na construção de um mercado inédito, que pode transformar a sociedade através de cultura e educação em áudio”, comenta Flávio Osso.

Mercado mundial

O levantamento mais recente sobre este segmento foi divulgado pela Audio Publisher Association (APA), organização de comércio da indústria do audiobook nos Estados Unidos, no ano passado e indica que, em 2015, este mercado movimentou US$ 1,77 bilhões, alta de 20,7% na comparação com um ano antes. Somente nos Estados Unidos este crescimento foi de 24,2%. Mais de 35 mil títulos de audiolivros foram publicados em 2015. Apenas quatro anos antes, os números registrados eram de US$ 1 bilhão em vendas e pouco mais de 7 mil títulos foram lançados.

Apesar de a APA ainda não ter divulgado números mais recentes sobre este segmento,  movimentos do mercado ilustram o quanto as empresas do setor estão empolgadas. A Penguin Random House Audio, uma das maiores editoras de audiolivro no mundo, por exemplo, anunciou recentemente que deve gravar mais de 1.100 títulos em 2017. No ano passado, 900 obras foram produzidas. “No Brasil, o Ubook hoje é o maior produtor de audiolivros e revistas em português e todo o investimento feito já se pagou”, comenta Osso.

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