Cai participação da cadeia produtiva da construção na atividade econômica do Brasil

O ano de 2016 foi marcado por forte retração dos investimentos em obras. As despesas com obras e serviços realizadas no período alcançaram R$ 539,5 bilhões. Correspondendo a 8,6% do PIB brasileiro, esse valor indica redução da participação da cadeia produtiva da construção na atividade econômica do país, a qual havia alcançado 10% em 2014. Houve uma queda real dos investimentos em construção de 9,4% entre 2015 e 2016.

Em 2016, o faturamento da cadeia da construção alcançou R$ 975 bilhões. Desse valor, 46,9% referiram-se a obras e serviços da construção. O valor adicionado (ou PIB) da cadeia produtiva somou R$ 471,5 bilhões, sendo que 64% estavam associados às atividades da construção civil, 10%, à indústria de materiais, máquinas e equipamentos para construção e 9% às atividades de comercialização de materiais. Os serviços – que incluem as atividades dos escritórios de engenharia e arquitetura, das análises e ensaios de materiais, dos serviços de apoio à construção e das atividades de manutenção condominial – responderam por 17% do PIB da cadeia produtiva da construção.

Houve queda de 12,4% no faturamento da cadeia produtiva na comparação com 2015. O PIB da cadeia produtiva da construção, por sua vez, caiu 7,5% nessa comparação. O PIB da indústria de materiais, máquinas e equipamentos de construção registrou queda real de 12,5% e o valor adicionado pelas construtoras também registrou retração real, de 12,5%. As atividades comerciais também tiveram redução de PIB menor que os demais, mas ainda assim, muito acentuada: 10,7%. O PIB dos serviços prestados na cadeia da construção caiu 11,4% nessa comparação.

O número de pessoas ocupadas na cadeia da construção alcançou 11,7 milhões na média de 2016, o que equivaleu a 13,0% da força de trabalho ocupada no país. Desse total, quase 70% das pessoas estavam ocupadas em atividade da construção (construtoras, autoconstrução e reformas). Em relação a 2015, o número de trabalhadores com carteira assinada na cadeia produtiva da construção caiu 9,5%. Isso equivaleu ao fechamento de aproximadamente 550 mil postos de trabalho com carteira em todos os elos da cadeia. Como o PIB das empresas formais da cadeia da construção caiu 12,0% entre 2015 e 2016, houve perda de quase 2,5% na produtividade do trabalho (valor adicionado por trabalhador).

Investimento realizado X necessidades

De acordo com as projeções do ConstruBusiness 2016, seria necessário investir R$ 682 bilhões por ano em obras e serviços da construção para manter os ritmos de desenvolvimento urbano e desenvolvimento da infraestrutura necessário ao país. Foram investidos apenas R$ 539,5 bilhões no ano, 21% abaixo das necessidades para o país crescer de forma sustentável. Mantido esse quadro, há risco de que os ganhos em termos de redução de déficits (habitacional, de saneamento e de transportes, por exemplo) obtidos até 2016 sejam revertidos em curto espaço de tempo.

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