Estabilização dos spreads bancários das operações de crédito indica redução da turbulência econômica brasileira

O início de uma estabilização dos spreads das operações de crédito com recursos livres registrados nos últimos meses indica uma redução da turbulência no cenário econômico brasileiro. É o que mostra o Boletim Crédito do CEPER/FUNDACE, feito com base nos dados disponíveis até novembro de 2016 e divulgados pelo Banco Central do Brasil (BCB/EstBan).

Os levantamentos do Ceper mostram que o spread total da carteira com recursos livres vem aumentando desde 2013, refletindo uma elevação na incerteza econômica. O spread médio das operações de crédito para pessoas físicas se mantém em ascendência. enquanto, o spread médio das operações de crédito para pessoas jurídicas permanece praticamente constante.

A agenda de reformas com maior controle da inflação tem tornado o cenário econômico mais previsível, com efeitos sobre os spreads das operações de crédito com recursos livres, que devem começar a se retrair com os avanços das reformas que tragam estabilidade fiscal. A análise é do pesquisador do CEPER e coordenador do boletim, Luciano Nakabashi.

O levantamento mostra também que os spreads total (de pessoas jurídicas e físicas) das operações de crédito com recursos direcionados sofreram oscilações durante o segundo semestre de 2015 e o primeiro de 2016, com tendência de alta. Porém, a partir de agosto 2016, nota-se queda do spread médio das operações, o que aponta uma nova tentativa do governo em estimular a economia pelo canal do crédito.

“Apesar da redução da inflação, talvez fosse mais prudente esperar os efeitos da trajetória da redução da Selic sobre o nível de atividade. Por outro lado, a pressão social por uma melhora da economia após anos de retração é um elemento importante que ajuda a entender a pressa do atual governo em mostrar resultados”, avalia o  pesquisador.

Desde 2013, conforme os acompanhamentos do CEPER, os estoques da carteira de crédito para pessoas jurídicas e físicas vinham apresentando tendência de queda em decorrência do aumento da taxa de juros nos últimos anos associada à redução da atividade econômica e ao aumento da instabilidade econômica.

A queda do estoque de crédito na economia associada a uma elevação dos spreads é um forte indicativo de que a restrição ocorreu mais pelo lado da oferta, explica Nakabashi. “A redução das operações de crédito por parte das instituições financeiras foi consequência de um cenário macroeconômico de maior incerteza”, aponta.

Já o estoque da carteira de crédito com recursos direcionados (aqueles destinados a determinados setores ou atividades e realizados com recursos regulados em lei ou normativos), apresentou uma tendência semelhante ao que ocorreu com recursos livres, mas como um retração mais tardia. “Isso mostra a tentativa em manter os estímulos de demanda mesmo com sinais claros de deterioração da situação fiscal do governo federal, o que era e ainda a principal causa da difícil situação da economia”, analisa Nakabashi.

A partir do início de 2015, esse saldo começou a sofrer uma retração como um sinal claro de mudança nas políticas econômicas que só não obtiveram êxito, segundo o pesquisador, por falta de um ajuste maior e mais convincente por parte do governo federal.

O Boletim Crédito está disponível no site da Fundace no link: https://www.fundace.org.br/_up_ceper_boletim/ceper_201702_00274.pdf

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