Venda de imóveis usados tem 3º pior janeiro e locação o melhor mês em nove anos na Capital de SP

“Depois da bonança, a ressaca.” É dessa forma que José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (CRECISP), resume o comportamento do mercado de imóveis usados na cidade de São Paulo em janeiro. As vendas despencaram 43,02% na comparação com dezembro, mês em que as imobiliárias pesquisadas pelo CRECISP haviam registrado crescimento de 18,07% sobre novembro para fechar 2017 com expansão acumulada de 74%.

Os resultados de janeiro fizeram com que o índice de vendas do CRECISP fosse o terceiro pior desse mês desde 2008, ano em que eclodiu a crise financeira mundial provocada pela ação irresponsável de bancos e financeiras norte-americanos que concederam bilhões em empréstimos a quem não podia pagar, os chamados créditos “podres” ou “subprime” (de segunda linha). Em janeiro de 2008, antes da crise estourar (o marco da crise foi 15 de setembro, quando o banco Lehman Brothers foi à falência), o índice de vendas da Capital estava em 0,4894.

Com a crise instalada em todo mundo, embora a economia brasileira estivesse ainda crescendo por conta do boom das commodities, o índice de vendas recuou para 0,1465 em janeiro de 2009. Foi uma queda de 70,06%. Mas não foi a pior. Em janeiro do ano passado, com o Brasil vivendo o pico da recessão da era Lula/Dilma, o índice do CRECISP desceu mais ainda, para 0,1350. Isso representou uma queda de 72,41% em relação a janeiro de 2008.

Este ano, o índice de vendas do CRECISP apresentou ligeira reação, fechando janeiro em 0,1472. Comparado ao índice do mesmo mês de 2008 (0,4894), a queda foi de 69,92%. “Estamos longe dos bons resultados de 2008, mas, quando se olha para o ano passado, com seu crescimento acumulado de 74% no segundo ano de recessão, podemos confiar que o mercado tem capacidade de sobreviver à crise e que a queda de vendas de janeiro não é um ponto fora da curva histórica”, afirma Viana Neto.

O presidente do CRECISP lembra que as férias de janeiro sempre impactam negativamente as vendas de imóveis usados, mas, por outro lado, favorecem o mercado de locação. Ele explica que “muitas famílias aproveitam as férias escolares e do trabalho para se mudar, estudantes que passaram em vestibulares vêm para a Capital e precisam alugar e empresas costumam realocar nesse mês executivos e diretores, o que aumenta a procura e aquece o mercado.”

Foi isso que a pesquisa feita com 299 imobiliárias da Capital registrou em janeiro. O número de casas e apartamentos alugados foi 0,52% maior que o de dezembro, que registrou queda de 3,96% em comparação com novembro. O índice de locação da cidade em janeiro último chegou a 2,8027, o mais alto desde janeiro de 2008. Na comparação com aquele ano de crise mundial, representa um crescimento de 39,69%.

O presidente do CRECISP destaca que o mercado de locação da Capital também foi duramente atingido pela crise de 2008, “tanto que o índice de locação de janeiro de 2009 apresentou uma queda de 44,71% em comparação com janeiro de 2008”. Mas, a partir daí, ele foi se recuperando ano a ano até atingir no mês passado a maior marca para janeiros desde 2008. “Quanto mais caro e difícil o acesso à casa própria, independentemente de férias e folgas, mais a locação tende a crescer, mas num ritmo mais contido por causa do desemprego e da perda de poder aquisitivo das famílias”, resume Viana Neto.

Em 2016, segundo as pesquisas do CRECISP mostraram, o mercado de locação residencial da Capital acumulou saldo positivo de 22,41%. “Investir em imóvel para alugar continua sendo uma opção muito interessante, desde que se escolha o imóvel certo, no lugar certo e se peça um aluguel ajustado ao bolso dos potenciais inquilinos”, pondera Viana Neto.

Imóveis usados mais vendidos custaram até R$ 600 mil em SP

Os imóveis usados mais vendidos na cidade de São Paulo em janeiro nas 299 imobiliárias que o CRECISP consultou foram os que custaram até R$ 600 mil. Eles representaram 56,82% do total de casas e apartamentos vendidos, a maioria (54,54%) por meio de financiamentos de bancos. As demais unidades foram compradas à vista (36,36%) ou em pagamentos parcelados pelos donos dos imóveis (4,55%).

Além das férias, do desemprego, da perda de poder aquisitivo e dos custos elevados dos financiamentos, outro fator que contribuiu para a queda de 43,02% nas vendas de janeiro sobre dezembro foi o aumento dos preços médios dos imóveis. Eles subiram 8,67% em relação a dezembro, segundo apurou a pesquisa do CRECISP.

As imobiliárias venderam mais apartamentos (65,91% do total) do que casas (34,09%). A maioria das unidades vendidas (72,22%) enquadrou-se nas faixas de preços de até R$ 8.000,00 o metro quadrado, com predomínio dos imóveis de padrão médio (75% do total).

Os descontos concedidos pelos proprietários dos imóveis sobre os preços originais de venda variaram de 11,67% na Zona a 5,46% na Zona B e 7% na Zona C.

A Zona A perdeu a liderança de vendas que conquistara em dezembro. Em janeiro, a líder de vendas foi a Zona B, com 38,61% das unidades que trocaram de dono no mês, seguida pela Zona A, com 31,77%, pela Zona C, com 20,51%, pela Zona D, com 6,84%, e pela Zona E, com os restantes 2,28%.

As casas e apartamentos de 4 dormitórios foram os mais vendidos na Zona A (15,91% do total eram desse tipo) enquanto que os de 1 dormitório tiveram a preferência dos compradores na Zona B, com 15,91%. Os de dois dormitórios lideraram as vendas na Zona C (15,91%), na Zona D (4,55%) e na Zona E (2,27%).

Aluguel novo tem queda de 7,29% na Capital em janeiro

Quem alugou imóvel em janeiro na Capital conseguiu um valor em média 7,29% menor que o dezembro, segundo apurou a pesquisa do CRECISP com 299 imobiliárias. Elas alugaram um total de imóveis 0,52% maior que o de dezembro, dos quais 56,21% eram apartamentos e 43,79% eram casas.

Mais da metade das novas locações (52,74%) vai custar aos inquilinos até R$ 1.200,00 mensais, com a maioria deles (45,11%) tendo o fiador pessoa física como o garantidor dos pagamentos em caso de inadimplência dos inquilinos. As outras formas de garantia aceitas pelos donos dos imóveis foram o depósito de três meses do aluguel (32,58%), o seguro de fiança (15,63%), a caução de imóveis (5,61%), a cessão fiduciária (0,6%) e a locação feita sem garantia (0,48%).

Os descontos que os proprietários concederam sobre os valores originais do aluguéis foram reduzidos em 23,9% na Zona E (de 11,63% em dezembro para 8,65% em janeiro); em 15,29% na Zona D (de 11,38% para 9,64%); e em 6,45% na Zona A (de 8,84% para 8,27%).

O desconto médio aumentou 14,58% na Zona C (de 11,04% em dezembro para 12,65% em janeiro) e 9,78% na Zona B (de 9% para 9,88%).

O aluguel que mais subiu em janeiro na Capital foi o de casas de 2 dormitórios em bairros da Zona D, como Freguesia do Ó e Pari. O aluguel médio subiu 38,75%, de R$ 950,00 em dezembro para R$ 1.318,09 em janeiro. O aluguel que mais baixou – queda de 44,69% – foi o de apartamentos de 3 dormitórios em bairros da Zona D. O aluguel médio foi reduzido de R$ 2.290,00 em dezembro para R$ 1.266,67 em janeiro.

Inadimplência em queda

Como aconteceu em dezembro, também em janeiro houve queda da inadimplência nas imobiliárias pesquisadas pelo CRECISP na Capital. Ela foi 4,7% menor que a de dezembro, com o número de devedores baixando de 5,11% em dezembro para 4,87% em janeiro.

As imobiliárias receberam de volta as chaves de inquilinos que alegaram não querem ficar no imóvel (61% do total) ou que não podiam mais pagar o aluguel (39%). Essas devoluções correspondem a 90,57% do total de novas locações de janeiro.

O número de ações que deram entrada nos Fóruns da Capital em Janeiro (1.553) foi 15,18% inferior ao de dezembro (1.831 ações). As ações ordinárias, usadas para despejar inquilinos, caíram de 77 em dezembro para 67 em janeiro (- 12,99%). As ações de rito sumário somaram 413 em janeiro, 26,77% a menos que as 564 de dezembro.

Os fóruns receberam em janeiro 73 ações renovatórias do aluguel, número 27,72% inferior às 101 de dezembro.

As ações consignatórias, propostas quando há discordâncias sobre os valores de aluguéis ou encargos, aumentaram 14,29%, de 7 em dezembro para 8 em janeiro. E as ações por falta de pagamento caíram 8,32%, de 1.082 em dezembro para 992 em janeiro.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s